sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

O feminismo está na moda.

O feminismo está na moda. Hoje, meninas de 14/15 anos afirmam-se como feministas e nada me deixa mais feliz e esperançosa. Mas há sempre o reverso, a verdade escondia.
Na semana passada saíram estudos da Universidade de Coimbra que concluem que a violência no namoro está a aumentar em Portugal.
É verdade que isto acontece porque a legislação mudou à pouco tempo e hoje são contabilizadas queixas que anteriormente não faziam parte da estatística, mas o que é certo é que as mesmas meninas que se afirmam feministas continuam a apanhar, este é o termo, dos namorados homens, que continuam a ser os maiores agressores.
E porque é que isto acontece? Simples, porque continuamos a evoluir como uma sociedade patriarcal, completamente misógina, onde somos ainda o sexo fraco
Não há, nem neste país nem em nenhum que eu conheça, um esforço sério das entidades competentes e com poder fazerem alguma coisa para mudar a realidade.
Porque a violência esta intimamente ligada à subjugação moral das mulheres. Porque esta sociedade à qual nós pertencemos faz-nos acreditar que o nosso papel está há muito moldado e nós, mulheres temos de nos adaptar ao molde qualquer que seja a nossa forma. 
E o mais perigoso de tudo, é que nós, mulheres, somos usadas como agentes de limitação, umas relativamente às outras. 

Não acho de todo que as mulheres são um ser mais especial que o homem. Acho que somos iguais. Com particularidades, mas igualmente necessitados de respeito, amor e compreensão. 
Logo, essa grande treta de ser feminista é inferiorizar homens está, na premissa, errada.
Também não acho que somos todas dádivas da natureza. Há mulheres que são apenas maus seres humanos.
E também não sou daquelas que anda com um cartaz a dizer-se feminista O que eu faço é pô-lo na prática. 
É levantar a minha voz para defender alguma mulher mesmo que não goste dela. É ensinar aos pequenos seres que me rodeiam que meninos e meninas são iguais. É impor-me quando alguém mais reticente aos meus princípios me tenta subjugar. É não chamar cabra e puta a uma mulher só porque sim. É não julgar uma mulher apenas pelo que veste.

E isto é difícil. É difícil porque desde que nasci a sociedade me ensinou o contrário. 

E a sociedade ensinou-me também que, posso não admitir levar uma chapada, mas sair de casa com a uma roupa que o meu marido não gosta é proibido. Ou que impor a minha opinião, contrária à do meu namorado, vai fazer com os demais o diminuam como homem, logo não o posso fazer. 
Portanto, a violência e o feminismo estão ligados. Ligados por laços de agressão e medo, que faz com que nós mulheres, continuemos a não ter força para dizer basta. 

E a solução nem é assim tão difícil. Basta entendermos uma vez por todas que, a partir do momento que dizemos frases como "ela até mereceu" ou "não tenho nada a ver com o assunto", estamos um passo mais próximas de nos tornarmos o inimigo. Aquele que nos cala, bate e assusta. E por vezes não é o homem, somos nós mesmas. 

Sejam feministas, mas sejam-no de verdade. 


(Desabafo depois de escutar na mesma conversa, a mesma pessoa, a auto proclamar-se feminista e na frase a seguir dizer que uma amiga que levou uma tareia do namorado mereceu porque foi vestida à puta (seja lá o que isso for) a uma festa) 



22 comentários:

  1. Bom texto :) Acho que o primeiro passo para acabarmos com o preconceito é tornarmo-nos mais solidárias umas com as outras, coisa que muito raramente testemunho. E isso é triste. Os homens são melhores do que nós no aspeto em que se apoiam mais, admitem que não são perfeitos e nem o tentam ser e acho que por isso se tornam mais tolerantes e compassivos uns com os outros. As mulheres têm de primeiro ganhar auto-confiança para depois conseguirem exprimir-se com maior assertividade e não se submeterem à violência

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    1. Eu acho que a luta das mulheres para se imporem é o que faz muitas vezes que aconteça essa intransigência perante as outras mulheres. O que não deixa de ser um problema.

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  2. Adorei o texto e é curioso porque ainda esta semana pensei nisto. Apesar de já muito mais gente ter consciência dos direitos das mulheres, da maioria das raparigas/mulheres saberem que não se devem subjugar, muitas acabam em situações destas - e não percebo, sinceramente, porquê. Nunca me aconteceu ser desrespeitada por alguém próximo pelo facto de ser mulher e isso acontece por duas razões: porque não me deixo rodear por energúmenos (ou pessoas que potencialmente o serão) e porque estabeleço sempre os meus limites e construo todas as relações com base nos meus direitos. À primeira linha que é ultrapassada, acaba tudo - ou se discute até ficar tudo esclarecido. Não vou acumulando, não vou adiando a exigência dos meus direitos, nunca. Por exemplo, cá em casa as tarefas domésticas são todas, sem excepção, divididas (e vivo apenas com o meu pai). Em grupo, procuro que a minha voz seja sempre ouvida, imponho-me quando tem de ser. E consegui construir uma relação super equilibrada com o meu namorado, em que nunca me senti inferiorizada. E ninguém me ensinou a isto, a minha mãe não era propriamente o auge do feminismo. Apenas reconheço os meus direitos e respeito-os bastante. Não digo que por vezes não seja difícil, particularmente em contexto de trabalho é mais complicado uma mulher afirmar-se; no entanto, no caso das relações, julgo que há que ter dois dedos de testa e perceber que pessoas valem a pena ou não. E isto aplica-se quer aos homens que desrespeitam as mulheres, quer às mulheres que desrespeitam o próprio género. No fundo, creio que tudo começa por nós, pela forma como agimos com os outros. E não podemos dar excepções a ninguém, porque estamos a falar de uma sociedade patriarcal e misógina (como mencionaste), que à mais pequena fenda se vai impor.
    Boa reflexão :) E deste-me oportunidade para falar do assunto, que ainda por cima tem andado a semana toda a remoer-me a cabeça.

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    1. As vitimas de violência são isso mesmo, vitimas. Por vezes são levadas numa composição perversa de acontecimentos que as levam a aceitar e atenuar situações limite. O importante é criar uma rede de apoio que funcione e isso passa pela mudança da mentalidade social.

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  3. Gostei do texto, mas infelizmente eu acredito que hoje em dia o feminismo está a tornar-se um pouco diferente daquilo que prega. O feminismo, tal como dizes, seria uma busca pela igualdade de géneros. E, se fosse sempre assim, eu estaria totalmente de acordo com esse movimento. O que eu observo (e não quero generalizar) é que várias feministas lutam não pela igualdade, mas sim pela superioridade da mulher. Querem igualdade, mas só o homem paga a conta. Querem receber salário igual ao homem (o que concordo), mas não querem fazer trabalhos um pouco mais pesados. Enfim, o que quero dizer é que o verdadeiro feminismo cada vez mais se distancia do que deveria realmente ser, por causa de algumas mulheres que se proclamam feministas. Não, não acredito que o feminismo inferioriza homens, de todo, e também não acho normal uma mulher levar porrada do namorado ou seja de que homem for. Se todas as mulheres feministas lutassem contra isso sem quererem lutar também pela superioridade delas, mas sim pela igualdade, eu apoiaria muito mais o movimento feminista.
    É só a minha sincera opinião, mas o teu texto está muito bom, e concordo com a tua visão do feminismo.

    Beijinhos
    miya--world.blogspot.com.br

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    1. Como cada movimento muito falado há sempre quem se "cole" a ela para outros fins, mas quero acreditar que mais e mais mulheres abracem os pressupostos feministas.

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  4. Essa pessoa de quem ouviste isso, provavelmente não está bem com ela própria, e então, tenta fazer-se "grande" a frente das outras pessoas, mas se calhar até gostaria de ter ido a uma festa vestida de "puta"...
    Eu pessoalmente não me importo com opiniões alheias, mas as vezes as palavras alheias doem...

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  5. As mulheres são muitas vezes as piores inimigas umas das outras. Por ciúmes ou superação tendem a rebaixar o mesmo sexo! Século XXI mas as coisas não mudaram assim tanto!
    http://cocojeans.blogspot.pt

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  6. Não há um esforço das autoridades competentes nem há um esforço em casa, onde devia começar a verdadeira educação para a igualdade. Continuamos a viver numa sociedade em que os pais pedem às filhas para irem pôr a mesa, enquanto os filhos podem continuar a jogar computador. Em que se educam as raparigas para quererem os mesmos direitos dos homens, mas não se educam os homens para aceitarem mulheres iguais a eles. A mulher continua a ser vista como um objecto, um ser inferior, que precisa dum homem para a completar e a validar.
    Ainda há muita, mas mesma muita coisa a mudar na sociedade até que se consiga atingir a tão desejada igualdade.

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    1. É muito verdade. A mudança começa na educação!

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  7. Adorei o texto! Também acho que um dos pilares do princípio do feminismo reside na solidariedade entre as mulheres, pequenos gestos como não nos julgarmos umas às outras pela forma de vestir, por exemplo, fariam toda a diferença.

    Beijinhos e Bom Fim de Semana ♥
    http://lovingmypinkbubble.blogspot.pt/

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    1. Sou sonhadora e acredito que um dia chegamos lá =)

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  8. Gostei muito do texto e concordo plenamente! Cada vez mais as pessoas (não só as mulheres) se dizem feministas mas são poucas as que fazem algo para agir contra, por exemplo, a violência ou qualquer outro problema de inferioridade que sofremos.
    Só há um pequeno ponto com o qual discordo. Quando dizes "Ligados por laços de agressão e medo, que faz com que nós mulheres, continuemos a não ter força para dizer basta" tens que ter cuidado para não generalizares. Nem todas continuamos a não ter força para dizer basta, tal como dizes.
    Kisses,
    Messy Hair, Don't Care

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    1. De todo quero generalizar, com o meu texto eu própria estou a dizer basta. Quero apenas referir que se continuarmos, nós mulheres, a deixarmos que nos usem como elemento de perpetuação dos limites impostos por esta sociedade ridiculamente machista nada vai mudar.

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  9. Muitos parabéns por este texto! É sempre bom sonharmos e acreditarmos e eu também acredito que um dia tudo será melhor, assim como espero que a violência também tenha um retorno... espero que as pessoas percebam que cabe a todos consciencializar para este problema.

    Beijinhos,
    Joana*

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  10. obrigada pelo comentário <3
    adorei este texto e sem dúvida que concordo! é bom vir-se a notar que a consciência da pessoas tem mudado para melhor :)

    www.pinkie-love-forever.blogspot.com

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  11. às vezes somos mesmo as nossas piores inimigas...por isso que não gosto muito dessa palavra "feminista" porque faz-me lembrar exageros. E tudo o que é exagerado...perde....
    Adorei o post e o tema.
    Beijinhos
    elisaumarapariganormal.blogspot.pt

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  12. Excelente texto! Eu também não sou propriamente a favor da palavra "feminista" pois também me faz lembrar ideias extremas e exageradas! Para mim o mais importante é mesmo a igualdade!
    beijinhos
    http://direitoporlinhastortas-id.blogspot.pt/

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  13. «Sejam feministas, mas sejam-no de verdade.» - E está tudo dito!

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  14. Agora o feminismo está distorcido... Elas já nem sabem o que a palavra significa. Enfim... é triste.

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  15. Não concordo que a violência na faixa etária mais jovem aconteça porque ainda somos uma sociedade onde a mulher é vista como ser inferior. Até acho que os "putos" hoje não olham para a mulher como sendo inferior ou como tendo obrigação de ficar em casa e cuidar dos filhos, do jantar e comer e calar.

    Acredito que o problema tem a ver com o sentimento de posse que se criou, com aquela mania do "ela é minha não tem de sair com mais ninguém", de quererem impor-se perante os amigos e mostrar que são os maiores lá do bairro. Faz-me muita confusão que uma miúda de 15 anos ache normal que o namorado controle o que ela veste, com quem ela sai, com quem pode falar e que ache que um estalo de vez em quando são coisas normais, assim como acham que elas podem mexer-lhes no telemovel quando querem, proibi-lo de ter aquela amiga porque é "puta", de fazer isto e aquilo. Estes miudos de hoje em dia tem uma visão completamente deturpada do que é um namoro saudável e acham divertido o sentimento de posse, acharem que o outro lhes pertence. Depois quando acordam para a realidade, já vivem numa relação completamente abusiva e não fazem ideia de como sair dela..
    É preciso mais diálogo em casa (muito mais) e uma abordagem diferente nas escolas.

    Quanto à geração mais velha, quando oiço alguém dizer que entre marido e mulher não se mete a colher, fico com tanta vontade de lhes dar com a colher na cabeça. Não entendo, nunca conseguiria ver uma situação de violência e seguir a minha vida como se nada fosse (e ja chamei a policia numa situação assim, em que ninguém fazia nada..)

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