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quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

A Perturbação Obsessiva - Compulsiva.

Eu tenho POC. Ou TOC. O que interessa é que sofro de uma patologia obsessiva - compulsiva.

Pausa para respirar fundo. (Cada vez que o digo, falha a respiração.) 

Antes de mais quero esclarecer o que é a POC. 


Obsessões são ideias, pensamentos, impulsos que a pessoa não quer ter, mas não controla e causam ansiedade significativa. Por exemplo, a ideia de ficar contaminado por tocar num objecto ou superfície, a dúvida persistente se fechou ou não uma porta, se a roupa está bem lavada, se as mãos estão limpas após as ter lavado, a necessidade de contar objectos ou realizar tarefas segundo uma determinada ordem ou impulsos, como por exemplo, magoar, ferir alguém, de utilizar facas ou outros objectos perigosos com pessoas próximas, entre muitos outros exemplos.

As compulsões são comportamentos, acções, pensamentos, em resposta ao mal-estar causado pelas obsessões. Por exemplo, o pensamento obsessivo repetido de que as mãos estão sujas, surge a compulsão de lavar as mãos até aliviar o mal-estar. Isso pode acontecer várias dezenas de vezes por dia

Sempre tive manias. Sempre sofri de ansiedade. Sempre soube que algo não estava bem. 
Apenas aos vinte e três anos é que descobri.

Lembro-me perfeitamente do meu primeiro ataque de pânico. Tinha seis anos. 
Pensei que ia morrer naquele dia.
A origem? Estava convencida que era adoptada. Não queria perguntar a ninguém pois tinha a certeza que iriam confirmar a minha história.
Não conseguia pensar em mais nada, e vinte anos depois consigo ainda sentir aquela angustia. 
Tudo culminou num tremendo ataque de pânico e na minha primeira visita ao psicólogo. 
Claro que a minha história não passava de criação de minha cabeça e infelizmente o psicólogo disse que era criatividade. Foi há vinte anos.

Durante toda a minha vida tive estes momentos. Que aprendi a manter para mim. Nem sempre acontecia, mas quando acontecia tentava ao máximo esconder. Não sabia bem explicar e achava que ninguém iria perceber. E tentava camufla-los na minha mente com as compulsões.

Não tenho muitas compulsões, felizmente. Mas as que tenho levo ao extremo.

É exaustivo. É horrível. É a minha doença. 

Pouco tempo depois de fazer vinte e três anos, a minha vida corria perfeitamente e começaram as obsessões de forma intensa. 
Dia após dia pioravam e eu fui enlouquecendo. 
Chorei desde acordar até dormir, estava assustada. E tomei a melhor decisão da minha vida. Ao terceiro dia, decidi procurar ajuda e não lutar sozinha. 
Finalmente descobri o que tinha. 
Por fim tinha um nome para a minha angústia. 

Os dias em que me sinto exausta apenas de pensar; os dias em que me detesto porque não entendo de onde vem tudo aquilo; as incontáveis e massacrantes lavagens as mãos e braços; as verificações das portas; os dias que não são dias. Tudo teria um nome a partir daquele momento. 

É uma luta diária. Creio que será uma das grandes lutas da minha vida. Mas como em tudo, eu nasci para vencer.