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sexta-feira, 16 de novembro de 2018

A lacuna da empatia

Quando somos adolescentes e tantos as hormonas como as ideias estão baralhadas é normal termos um défice de empatia. Não em questões fundamentais, como o sofrimento flagrante, mas perante os problemas e dificuldades dos outros. Achamos que as nossas batalhas são, não só mais importantes, como mais válidas de consideração do que as de qualquer outro ser humano. E é normal. 
O problema é que crescemos, mas a empatia em muitas pessoas não cresce, não se desenvolve. Depois de adulta, tornei-me não só uma pessoa muito mais tolerante como empática com as dificuldades dos outros. 
O chavão “coloca-te no lugar dele” é algo que realmente faço. É muito fácil julgar alguém pela minha história e pelos meus conhecimentos, no entanto, cada pessoa é uma história e um mundo diferente. As batalhas, desafios e entraves que cada um de nós atravessa são muito pessoais e sermos julgados livremente não é apenas injusto mas também maldoso. 
Isto acontece com todos em algum momento da vida. A última situação que me lembro de ser vítima desta falta de empatia foi pouco tempo depois de perder a minha mãe. Como é normal, aqueles meses seguintes foram os piores que já vivo. Não tinha vontade de nada, logo andei uns meses em versão “esfarrapada”. Sem maquilhagem, sem arranjar o cabelo e com a roupa mais sem graça que tinha no armário. As poucas vezes que tinha de sair de casa não fazia questão de me arranjar e o único acessório que usava eram os maiores óculos de sol que tenho. Ora isto não é normal em mim mas dadas as circunstâncias era mais do que justificado.
Num destes dias em que tive de sair de casa, uma das minhas arqui inimigas da adolescência, que já tem idade para ultrapassar qualquer problema que podíamos ter tido na altura, ao ver-me tão distinta do meu normal teve a reacção lógica na cabeça de uma miúda de 13 anos. Menosprezar.
A verdade é que ela não sabia o que tinha acontecido, no entanto não invalida o facto do primeiro instinto que teve foi gozar e coscuvelhar sobre a minha aparência. 
Posso afirmar que não me magoou. Tinha problemas muito mais sérios para um comentário impensado fazer estrago, no entanto não posso deixar de ficar triste, não com ela, mas por ela. A falta de empatia que demonstrou numa situação tão básica demonstra uma lacuna de carácter flagrante. O mais triste é que existem milhares de pessoas iguais. Que não fazem o mínimo esforço para equacionar o que o outro está a passar antes de o menosprezar e banalizar. 

O mundo já é um lugar tão difícil que se não tivermos o coração, e a cabeça, um pouco mais receptivos torna-se muito complicado viver com qualidade. Precisamos de entender de uma vez por todas que somos iguais mais muito diferentes e antes de criticarmos devemos tentar perceber, mesmo que seja mais complicado. A empatia faz falta, vamos  cultivá-la. 




quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Como um abraço mudou a minha vida

Desde que nasci tive as demonstrações de afecto como um dado adquirido. Na minha família damos beijos, abraços, dizemos que nos amamos numa base diária. É impensável para mim coisas como terminar o telefonema da noite com o meu pai sem dizer que o amo ou sair de casa sem dar um beijinho ao Eddie. Fui educada a dar beijnhos aos meus avós e tios a cada vez que chegava à casa deles assim como os meus primos, sejamos meninas ou meninos. Os meus sobrinhos e primos mais novos dão beijos de boa noite antes de ir para a cama e tratarmo-nos por nomes carinhosos é a regra. 
Por isso mesmo, até bastante tarde não dei o real valor a isso. 
Sempre tive vários amigos. Alguns com vivências semelhantes à minha, muitos com diferente. E foi uma dessas amigas que me ensinou que um abraço pode ser a uma arma muito poderosa.

Quando era miúda, as amigas andavam de braço dado. Nunca foi uma coisa que eu achasse particularmente piada, mas as minhas duas melhores amigas, que me acompanharam desde o infantário, achavam incrível. E se na maioria das vezes me esquivava deixando-as andar as duas de braço dado e eu solta e livre, por vezes era encurralada no meio das duas. 
Mas era moda, toda a gente andava assim e não havia mal nisso. 
Ora num dos meus anos de ciclo, não consigo precisar qual, tive uma colega com muitas carências. Motivada com um sentido de justiça que me acompanha até hoje, consegui que a escola a deixasse tomar banho todos os dias no balneário e com a ajuda da minha família comprei-lhe um pequeno guarda-roupa e produtos de higiene, conseguindo-lhe dar-lhe uma normalidade que entre adolescentes é desejada. 
Ela tinha uma história de vida difícil e nesta nossa cruzada para lhe dar aquilo que ela infelizmente não tinha, ficamos amigas. Era uma miúda incrível, um coração de ouro e merecia muito mais do que a ajuda que lhe estávamos a dar.
No final de um dia de aulas normal, que me lembro como se de hoje se tratasse, estávamos a sair da sala e eu dei-lhe o braço até à saída da escola. Quando vi os meus pais à minha espera dei-lhe um abraço e quando me começava a virar para ir embora ela começou a chorar. 
Fiquei muito aflita, porque até dois segundos atrás ela estava bem e quando a interroguei o que se passava ela disse uma frase que me atormenta até hoje " Tu nunca me tinhas abraçado nem dado o braço. Eu já não me lembro a última vez que alguém me deu um abraço.". 
E este é um daqueles momentos que muda a nossa vida.

Algo tão simples como abraçar alguém que nos é querido pode fazer a diferença. A partir deste dia, deixei de banalizar o carinho que tinha da minha família e comecei a ser muito mais atenta às necessidades emocionais dos meus amigos. 
Porque um abraço, um "gosto de ti", uma carícia não custa nada mas aproxima as pessoas e fá-las mais felizes. Mais completas.
E eu, uma pessoa rodeada de amor, fui aprender esta lição com quem não tinha nenhum. 

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Por cá vamos andando...

A ausência de posts no blogue não é despropositada, tão pouco desleixo. É apenas a forma que eu tenho de vos proteger das minhas variações de humor. 
Se há momentos onde consigo ir buscar a minha alegria de vida intrínseca, no geral a melancolia domina. E não é isso que quero para aqui.
Aqui o mundo é mais brilhante e leve e mesmo quando falamos de assuntos mais séries é com leveza e nunca com a seriedade e muitas vezes a tristeza que a vida nos proporciona. 

Por isso a ausência.

Quero mesmo mudar este curso, recuperar a energia e a alegria e sobretudo recuperar o FOCO.
Esta é a palavra do ano. Foco. Para fazer mais e melhor e no fundo, mudar de vida.
No último ano ela mudou tanto sem a minha intervenção que chegou a altura de ser eu a comanda e direccioná-la. 

Fazer com o que temos o melhor. 


quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Eu e Ele #7

O Eddie (já disse o nome dele no stories não vale continuar a chama-lo E) é aquele tipo de pessoa que depois de cinco minutos é o teu melhor amigo. Ele é mesmo a pessoa mais amigável que eu conheço. 
Por outro lado, eu não sou nada assim. Não é que não faça amigos com facilidade, simplesmente não tenho a abertura e disposição para o fazer. 
Eu não vou ser amiga de alguém a menos que haja algo nessa pessoa com o qual me identifico. O Eddie celebra a diferença entre as pessoas, eu encontro conforto nas semelhanças, no que respeita a amizade. 

Esta diferença tão clara nas nossas personalidades sempre nos trouxe histórias engraçadas mas também situações complicadas. 
Quando começamos a namorar, lá no tempo da invenção da roda, o Eddie ficou amigo dos meus amigos muito facilmente. Tanto que no meu grupo de amigas ele é o único namorado que não tem um estatuto de "namorado de" mas sim, como ele próprio, de tão amigo que ficou das minhas meninas.
Eu, por outro lado, tive algumas dificuldades com alguns amigos dele, uma vez que juntar a minha personalidade reservada à minha língua afiada é o resultado perfeito para me chamarem arrogante para a eternidade. 
Claro que depois que me conhecem, a quem eu deixo conhecer, as pessoas ultrapassam essa ideia mas as primeiras impressões são difíceis de ultrapassar. 

Por tudo isto, se há algo que eu cobiço na personalidade do Eddie é esta facilidade que ele tem de ser amigo do mundo, esta abertura maravilhosa às novidades que novas pessoas trazem à vida.
É algo que ando a trabalhar para melhorar, mas é difícil inverter algo que fui toda a vida.


terça-feira, 26 de setembro de 2017

Eu e Ele #6

Um dos pilares da minha relação com o E é a amizade. Nós somos realmente amigos e juntos a diversão é garantida. 
Temos muito em comum, além de sermos muito diferentes. E uma das coisas que partilhamos é o gosto sórdido por filmes maus. Muito maus. 

Ambos adoramos cinema, somos consumidores convictos de vários estilos e torcedores fervorosos de bom cinema. Mas há um lado nosso, mais obscuro e masoquista, que adora um bom péssimo filme. 

E não estou a falar daqueles filmes, na sua maioria comédias românticas, que passam ao sábado e domingo à tarde na televisão. Não, o que nos gostamos mesmo são aqueles filmes que passam na Syfy, onde uma equipa arranjou orçamento sabe-se lá onde e compôs uma obra-prima do cinema decadente.

É ver-nos de sorriso nos lábios, olhos brilhantes e expressão perplexa. Um tipo de emoção diferente.

Este amor começou numa madrugada, depois de vermos dois filmes muito sérios, que realmente não me recordo quais, precisávamos de algo para descomprimir. A escolha recaiu no filme Iron Sky e a nossa vida nunca mais foi a mesma. 
O filme é tão mau, tão mau que se torna fabuloso e passou a ser o topo da nossa escala. Sempre que vemos um filme mau, mesmo mau a pergunta que se segue é sempre a mesma, "De 0 a Iron Sky, quanto dás?". Escusado será dizer que nenhum chegou ao topo.

Por aí mais alguém com um fraquinho por mau cinema?
Qual o vosso guilty pleasure com os vossos namorados/namoridos/maridos? 

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

O luto e o amarelo

Quando perdemos alguém muito próximo, além do luto inerente a essa perda à uma nova aprendizagem da vida, pois ela deixa de ser igual ao que sempre foi. Somos confrontados com novas realidades, desafios e somos abordados pelas mais variadas pessoas na procura de nos auxiliar nestes momentos tão crus e duros.

A morte é seguida pelo luto, que é um estado mental. Ponto. Mas habitualmente é transformado em regras e normas sociais que nos impõem ou nos auto impomos.

A cor favorita da minha mãe era o amarelo. Fazia-a feliz. E no momento de escolher a sua última roupa não duvidei um segundo. Nas celebrações fúnebres, os familiares mais imediatos foram vestidos de amarelo. 
E aqui começou o maldizer. 

Morbidez ou não, sempre foi uma conversa que tive com a minha mãe de como queríamos que fosse o nosso funeral. Era uma conversa que o meu pai e avó detestavam, mas que provou-se bastante útil na hora de decidir algo. Uma das coisas que a minha mãe sempre me disse e me influenciou uma vez que partilho da mesma opinião, é que a cor da minha roupa ou maquilhagem não reflectem de todo o sentimento que nutro por alguém. Ambas gostávamos de vestir preto, mas jamais por luto a alguém. O luto faz-se nas acções e não na roupa. Pelo menos foi assim que ela viveu a pensar e eu continuo a acreditar.
Por isso, o amarelo era a escolha lógica e absoluta. Aquele dia, um dos dias que ainda está tão baralhado na minha mente tal é a dureza das recordações, era para me "despedir" da minha mãe. E nada melhor do que usar a sua cor favorita.

Naqueles dias ninguém ousou dizer nada directamente, mas passados dias começaram os sussurros do uso do amarelo e como ninguém em casa usava o preto completo. Ninguém lhe fazia o luto.
Não me incomoda mas impressiona-me. 

Nunca tinha perdido ninguém que amasse verdadeiramente antes e a primeira pessoa que perdi foi uma das pessoas que mais amava. Arrancaram-me um pedaço da alma e as pessoas estavam preocupadas porque eu vestia jeans e t-shirt branca? Sério?
Acharam mal por usarmos amarelo e não nos vestimos todos de preto?

A hipocrisia sempre foi dos males que mais me perturbou mas quando se alinha com maldade fica algo indescritível. 
Aprendei nestes dias, mais uma vez, que nada que possamos fazer vai ser percebido e aceite por todos e assim, mais vale viver de acordo com o que acreditamos a viver uma vida miserável a seguirmos as regras dos outros. 

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Entrar no mundo real

Sempre ouvi que quando entramos no mundo do trabalho é que entramos no mundo real. Ontem, voltei a ouvir a expressão. 
O que posso dizer? Detesto e acho mentiroso. 

Tive uma infância e uma adolescência abençoada. A minha vida adulta, com alguns problemas, tem sido maravilhosa. Mas jamais consideraria que apenas quando entrei no mundo do trabalho entrei no mundo que valia a pena, que era complicado e sério.
Comecei a trabalhar com 15 anos nas férias, não por necessidade é verdade, mas porque achei que era importante para mim. Neste 12 anos que entretanto se passara, já fiz muita coisa e já tive diversos graus de responsabilidade. 
Assim, com conhecimento de causa, afirmo que não concordo e não aceito que o mundo do trabalho nos dê uma seriedade, uma profundidade maior como pessoas.

Primeiro, porque não julgo as pessoas pelo seu cargo profissional ou pelos zeros na conta bancária e segundo, porque nunca vi o trabalho como uma definição daquilo que sou mas sim, como uma parte daquilo que sou. 

Reduzir a seriedade e realidade do mundo ao cargo que desempenho é reduzir a minha vida. Eu não sou o meu emprego, eu não sou o dinheiro que tenho e nem sou as qualificações que tenho. Tudo isto faz parte daquilo que sou enquanto pessoa mas não é isto que me torna mais pessoa. 

Acredito até que quem usa este chavão, são sim pessoas que valorizam demais o seu emprego e posso afirmar, também por experiência, que quando valorizamos demais o nosso trabalho deixamos o resto da nossa vida em segundo lugar e mais cedo ou mais tarde nos vamos arrepender.

Cresci a acreditar que o trabalho é um ramo da vida mas que não nasci apenas para trabalhar. Nasci para aproveitar a vida e fazer o que amo, com sorte o trabalho enquadra-se aqui, mas jamais posso acreditar que a vida se resume ao triângulo Nascer - Trabalhar - Morrer

Há muito mais neste mundo. 

quinta-feira, 25 de maio de 2017

As bicicletas e o provincianismo

Vivi toda a minha vida numa cidade de bicicletas. Toda a gente, mas mesmo toda, de crianças a velhinhas de 80 anos andam com as suas respectivas bicicletas para se encaminharem nas suas vidas.

Comecei a andar de bicicleta tinha uns três ou quatro anos. Na minha casa, cada elemento tinha a sua e muitas vezes deixávamos o carro em casa, preferindo o veículo de duas rodas. 
Ao crescer, com bicicletas adaptadas ao meu tamanho, fui rodando as ruas da minha cidade, que conheço como as palmas da minha mão. 
Não consigo contar as vezes que fui para a praia, a casa dos meus amigos, dos meus familiares, de bicicleta assim como quase todos os dias para a escola de bicicleta.
A minha escola, tinha e continua a ter, um parque de bicicletas gigante e sempre preenchido. 
Não interessa se por necessidade ou escolha, todos nos deslocávamos para a escola com as nossas bikes (palavrinha dos anos 2000 que hoje detesto). 
Mas havia sempre os que ficam de lado. Uns por serem crianças bibelots, aos quais os pais não deixavam ir de bicicleta porque os meninos podiam morrer, e aqueles, poucos, que eram bons demais para andar de bicicleta.
Eram realmente poucos, mas existiam alguns que achavam tão "pobre" deslocarem-se de bicicleta.
Mas cada um é como é e está tudo bem.

Ou estaria, se não fosse isto do maior provincianismo que já vi. 
Ora bem, hoje, eu e os meus colegas de escola, entre os quais estes visionários da pobreza, estamos quase na barra dos 30 (ainda me faltam dois anos!), e felizmente a maioria de nós pode viajar e ver o mundo.
Uma das cidades mais populares entre os jovens é Amesterdão, a cidade das bicicletas assim como as cidades escandinavas, onde todos se deslocam de bicicleta, independentemente do nosso cargo ou estatuto financeiro. 
E todos amam estas cidades. Todos acham tão evoluídas e maravilhosas.

Onde está o provincianismo? Sendo em Portugal é pobreza, sendo lá fora é evolução. 
E isto acontece em vários planos da nossa sociedade.
Quando comparamos as nossas coisas às dos outros, há sempre um menosprezar latente que odeio de morte. 

E acho que chegou a hora de nos valorizarmos, mesmo que comece pelos jovens a andar de bicicleta. 

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Vamos falar de sexo #2

O sexo é algo natural, que surge naturalmente e nem sempre estamos "vestidas" para ele.
O que quero dizer com isto? Na minha opinião, uma roupa interior bonita é uma coisa essencial. 
Nada contra roupa interior grande e de algodão, eu também tenho algumas peças mais básicas. Cada um usa o que quer e cada um se sente bem com peças diferente.

Pessoalmente, sou fã de renda. Até as minhas peças mais básicas têm esse apontamento. Eu gosto, sinto-me bem e acho sexy. Há pessoas que acham foleiro, há quem adore. 
Eu sou uma entusiasta de roupa intima bonita. E vivemos num mundo em que é facílimo encontrar peças bonitas, de bom gosto e muito baratas. 

E o que tudo isto tem a ver com sexo? Tudo. 
Acredito, sinceramente, que se estivermos com roupa interior sensual com que nos sintamos bem, isso vai fazer com que a nossa confiança aumente e logo tudo na nossa vida, incluindo o sexo, vai melhorar. 
Conheço muitas mulheres, e homens, que não acham uma questão importante. Desvalorizam o poder de uma lingerie sexy num momento íntimo. 
E isto, senhoras, não tem nada a ver com agradar o nosso parceiro. 
Antes de tudo temos de aprender a estar sensuais para nós. E a sensualidade é relativa. Há mulheres que vão adorar usar umas cuecas mais simples e outras, umas mais atrevidas. No entanto, umas cuecas bonitas serão sempre umas cuecas bonitas e isto aplica-se a toda a roupa interior. Usar aquelas peças mais velhas, laças e desbotadas pode ser mágico de tão confortável, mas queremos mesmo que o mundo nos veja com elas? 

Eu sou a favor da roupa interior sensual. E quem não acredita no seu poder, experimentem usar durante alguns dias e vão ver algumas coisas a mudar para melhor. 




sexta-feira, 12 de maio de 2017

As pessoas e as crenças.

Sempre que me perguntam directamente qual a minha crença, normalmente pergunta que segue à minha afirmação de falta de crença em Deus, a minha resposta é sempre a mesma. 
Eu não acredito em Deus, acredito nas pessoas. E esta afirmação não pode ser mais verdadeira. 

A minha falta de crença em Deus, qualquer um que seja, tem as suas justificações privadas. São minhas, que partilha com quem quero. 
Ao contrário do que muitos crentes fazem, não promovo a minha falta de crença. Defendo-a caso a ataquem, mas não faço disso uma bandeira.
E sobretudo, respeito imensamente a crença de cada um. E defendo o seu direito de a ter.
Sendo criada numa família católica, muita da minha educação tem por base esta crença. E não a renego. A maioria dos meus familiares é católico, muitos praticantes, por isso frases como "Graças a Deus", "Dorme com Deus" e  "Se Deus quiser", são normais. E isso não me causa nenhum constrangimento.
Sou sincera que há muitas coisas na religião, em todas elas, que me deixam assustada e irritada. Mas como já referi, respeito o direito de crença de cada um.

Toda esta conversa para falar dos momentos que se vivem em Fátima. Amanhã é um grande dia para os crentes católicos. O seu líder estará presente num grande momento para o santuário de Fátima. Líder esse, que aprecio particularmente. 

Mas o que me faz falar nisto não é o momento, são sim as pessoas.
Ao longo dos últimos dias tenho visto em reportagens, milhares de pessoas em peregrinação para Fátima. E este, é mais um momento que me faz acreditar nas pessoas.
Independentemente do que as move, é absolutamente comovente ver a alegria e o espírito de sacrifício.
São estas coisas que me fazem acreditar que o ser humano é um ser absolutamente fantástico. Podem usar a fé como bengala, mas a verdade, é que são capazes de ultrapassar desafios e obstáculos impensáveis.

Posto isto, acreditem no que quiserem. No que vos aquecer o coração e a alma. Mas nunca se esqueçam de acreditar nas pessoas. Nós somos maravilhosos, mesmo que por vezes tentemos provar o contrário. 
  

terça-feira, 9 de maio de 2017

Aprender a viver com menos.

Há cerca de duas semanas comecei a fazer uma limpeza cá em casa. 
Comecei pelas roupa, tirando as de Outono/Inverno para guardar e substituir pelas da nova estação. Claro que aproveitei e comecei a retirar tudo o que não queria. Pois bem, entre a minha roupa e do E foram 8 sacos de roupa para doar. E continuamos a ter roupa para usar sem repetir durante três meses.

Depois de me aperceber desta realidade, comecei a olhar em volta e a conclusão não é boa. A nossa casa está repleta de coisas a mais. Não, não é o estilo dos acumuladores que vemos na tv, mas há demasiadas coisas que simplesmente não são necessárias.
A titulo de exemplo, tenho 36 canecas na cozinha, fora os dois conjuntos mais arrumadinhos. 36 canecas??? É verdade que bebo muito chá, mas também é verdade que na maioria dos dias uso as mesmas 2/3 canecas. 
Outra questão são as toalhas de banho. Claro que são necessárias, mas ter toalhas para trocar todos os dias durante um mês sem repetir é demais.
Tudo é demais.

Comecei a sentir-me realmente sufocada e a pensar porque precisava de tanta coisa. 
Não vou entrar nas teorias de psicologia, porque realmente não estou a tentar ocupar um vazio com bens materiais.
O que se passa de verdade é que vivemos numa sociedade que nos diz para comprar, que nos faz desejar comprar e que nos marginaliza se não compramos.
E eu cansei-me disso.
Estou exausta e assustada. Estou revoltada comigo e com o mundo. Porque eu não quero viver uma vida repleta de objectos sem sentido.
E isto serve para tudo. Paras os objectos que me rodeiam, para a roupa que me quer tapar a alma e para os cremes que esperam em fila para serem usados. 
Não vou ser hipócrita. A teoria de só tenho dois pés então só preciso de um par de sapatos, é bonita. Mas não é concretizável, pelo menos para mim. 
Claro que quero deixar os meus sapatos quietinhos e lindos, mas talvez, na próxima vez que me sentir tentada a comprar mais uns sapatos nude, assumo que já tenho o necessário. Ou mais uma carteira preta. Ou mais uns jeans. 
E se quiser mesmo comprar, comprometer-me a desfazer-me de uma das peças semelhantes que tenho. 

O que pretendo é começar a ter uma vida mais lógica. Mais sustentável. Uma vida onde não me sinta abafada por tanta coisa. 



quinta-feira, 4 de maio de 2017

Eu e Ele #5

O E é a pessoas mais implicante no que diz respeito à maquilhagem. Especialmente base. Quanto coloco uma base mais densa, passa o dia reclamar. E por questões sérias. 
Além de começar por dizer que eu não preciso (como se a maquilhagem fosse usada apenas por necessidade), diz que faz mal à minha pele e até já pesquisou artigos científicos que demonstrem que tem razão.

Como já vos disse muitas vezes, sou alucinada por iluminador e ando sempre a "brilhar". Isto é também uma situação que estimula o resmungo. Aqui, um pouco mais animado, porque ele sabe que amo mesmo muito andar brilhante. 

Mas o que mais me irrita de tudo é reclamar pelo tempo que me demoro a maquilhar e eu sou muito rápida, acreditem. Por norma, começo a arranjar-me meia hora antes dele, para ter tempo de tomar banho, arranjar o cabelo e a maquilhagem, mas é claro que por vezes me atraso um pouco. E começa ele com o discurso, "Ficas tão linda sem maquilhagem", "Não precisas de nada disso", "Estás a estragar a tua pele e a contaminar o teu corpo." 

Há dois pontos muito distintos que já lhe esclareci.
O primeiro, mais importante, é que eu uso maquilhagem porque gosto. Não porque alguém me disse para usar mas porque me dá prazer. 
Esclarecida esta questão, o segundo ponto é fazê-lo perceber que o "sem maquilhagem" que ele tanto apregoa não é o que ele quer ver. 

Porque, vamos ser claras, a maioria dos nossos namoridos (todos os companheiros numa só categoria), quando falam de "sem maquilhagem" querem dizer isto:

O problema é que isto são caras maquilhadas para o efeito "no makeup". Parecem saudáveis, parecem lindas e radiantes. Mas a verdade é que , a grande maioria do mundo, tem manchas, acne, falhas nas sobrancelhas e a pele irregular. 

Assim, façam como eu, quando o vosso namorado teima em melgar a vossa maquilhagem, corram atrás dele com máscara ou batom na mão, para lhes mostrar como é maravilhoso uma boa maquilhagem. 

quarta-feira, 26 de abril de 2017

A surpresa de ser sério.

Vou quase diariamente ao Lidl comprar pão e fruta fresca. O pão sai quente a várias horas do dia e a fruta tem mais qualidade do que em outros estabelecimentos, na minha opinião. 
Na Sexta-feira, fui lá comprar o meu pão e algumas outras coisinhas e no momento de pagar a conta de €11,19, no qual eu entreguei €11,20 ao senhor da caixa.
Entretida com a arrumação da carteira e das compras não reparei logo no talão mas mal saí da loja e vi o talão reparei que com o talão o senhor deu-me €10.01 de troco. 
Por lapso, o senhor contabilizou €20.20 e deu-me o troco correspondente. Imediatamente regressei à loja e expliquei o sucedido. Chamando a gerente de loja, que indicou ao funcionário para recontar a caixa e verificar se falta dinheiro. Mas ambos ficaram a olhar para mim com uma cara estranha. 
Depois de contar a caixa e verificar que, efectivamente, faltava o dinheiro, tanto ele com ela, a gerente, agradeceram-me imenso e disseram que era raríssimo alguém fazer o que fiz. Que normalmente quando há erros, os clientes não devolvem o dinheiro, independente do valor.

Isso fez-me pensar, estamos mesmo a caminhar para uma sociedade sem critério e honestidade? 
Não devolver aqueles €10 nunca foi uma opção para mim, porque, além de sempre ter sido ensinada a devolver o que não me pertence, a realização de, conscientemente, não devolver algo que não é meu era algo que me perfuraria a consciência. 
E o valor é irrisório. 
Eu penso o seguinte, se por uma valor tão pequeno as pessoas são capazes de sujar a consciência, o que não fariam por um valor enorme? 
É algo que realmente me assusta.

O que pensam sobre o assunto? 

quinta-feira, 6 de abril de 2017

A Alicia e a maquilhagem

Ponto um. Adoro maquilhagem. Ponto dois. Adoro a voz da Alicia Keys. Ponto três. Detesto hipocrisia. 

Se há coisa na vida que prezo é a liberdade. Posso estar completamente contra o argumento mas sou profundamente grata por ele estar lá. É no conflito de ideias que se geram grandes mudanças, necessárias, na sociedade.

O que eu não gosto mesmo nada é de argumentação desonesta. 
Vamos aos factos. 
Em Maio de 2016, Alicia Keys escreveu esta carta, que é maravilhosa. 
Começa por falar de momento que todas nós, mulheres, já passamos. Claro que ela, sendo quem é, teve uma exposição incrivelmente grande e a nível mundial, logo a pressão é na mesma escala. 
Eu percebo sinceramente o desabafo e acho a tomada de posição bastante poderosa.

O que me irrita é tudo o que vem depois. 
Sem contar com o facto desta tomada de posição ser tornada pública pouco antes da estreia do mais recente álbum (Coincidência?), muitas notícias foram conhecidas que deitaram por terra toda esta posição #nomakeup.

Começa pela maquilhadora dela partilhar os produtos de maquilhagem para o efeito #nomakeup e acaba com a recente entrevista de Adam Lavine onde diz que viu Alicia a ser maquilhada e quando questionada respondeu que fazia o que lhe apetecia. 

Começamos pelo fim. Ela tem todo o direito de fazer o que lhe apetece. Como qualquer um de nós. Mas como qualquer um de nós, no seu caso um pouco mais pela sua posição, tem também o dever de honrar as suas palavras. Ou pelo menos ter atenção ao que diz e como o diz.

Usar a hastag nomakeup não é o mesmo que dizer que usa menos maquilhagem. É assumir que não usa qualquer maquilhagem. E tudo o que daí advém.
Se há milhares de meninas que se sentem oprimidas pela beleza "fabricada" de tantas artistas mundiais vão ficar ainda pior com a "beleza nua". Porque uma coisa é assumirmos que as nossas imperfeições  e cara lavada. Outra, completamente diferente, é assumirmos uma coisa que não somos como verdade. Se digo que estou sem maquilhagem não posso usar pelos postiços para encher a sobrancelha ou hidratante com cor ou até uma caneta para marcar sardas. 
Porque isso tem um efeito ainda pior. Ao usarmos maquilhagem, além de todo o peso social e antropológico que tem, estamos a assumir que gostamos e queremos. E estamos a assumir também que a nossa cara, de uma forma ou de outra, tem uma camada que escolhemos colocar.
Agora se afirmo não a ter e mesmo assim fico com um visual saudável e bonito, que diga-se nem todas conseguimos de cara lavada, é levar todas essas meninas que se sentem inseguras com a sua imagem a sentir-se ainda pior.
Não estou, de todo, a fazer propaganda ao uso da maquilhagem, usa-a quem quer e ponto final, mas se queremos que meninas e mulheres se sintam bem na sua pele lavada e com imperfeições, não podemos lutar por essa causa com hidratantes de cor. 


É verdade que em Janeiro a Alicia Keys veio desdizer toda a campanha #nomakeup dizendo que não é escrava da maquilhagem assim como não pode ser da não maquilhagem. Eu concordo, mas quando meses antes disse algo como "I hope to God it's a revolution. 'Cause I don't want to cover up anymore. Not my face, not my mind, not my soul, not my thoughts, not my dreams, not my struggles, not my emotional growth. Nothing.", a coisa fica um pouco confusa.


Acho maravilhoso que possamos ser o que quisermos, maquilhadas ou não, mas usar um discurso tão poderoso e depois contradizê-lo com as próprias acções, deixa-me tão irritada. 


Adenda: Depois de ter escrito o texto vi esta noticia. Na prática, tudo o que quero dizer. Ser sincero é tão melhor. 

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Eu e Ele #4

Isto de ter uma relação e viver em harmonia é muito bonito. Todos queremos uma vida decorada de corações e flores mas ninguém se lembra que há uma altura em que mesmo duas pessoas que se amam se tornam inimigos e lutam. 
Lutam pelo domínio da cama. 

Todo o animal é territorial e nós não somos diferentes. 
Se por um lado, no tempo frio de Inverno a convivência do nosso sono pode ser conciliável, uma vez que dormir juntinho ajuda a combater o frio, quando o tempo aquece a batalha começa.

Eu preciso de espaço para dormir e não consigo suportar uma perna ou uma mão por cima de mim. 
O E detesta as minhas constantes mudanças de posição.
Depois há a questão dos cobertores. Eu sou friorenta, logo preciso de estar bem enroladinha para estar confortável. 
O E por seu turno detesta estar muito tapado por isso passamos a noite no puxa e empurra. 
Eu adoro dormir estatelada na cama, pernas e braços em posições estranhas.
O E tem uma mania irritante de colocar os cotovelos nas minhas costelas durante o sono. 
Eu passo a noite a falar.
O E passa a noite a ressonar.

Posso dizer que as nossas noites são realmente "divertidas". Mas apesar de tudo isso, passamos cada noite de mãos dadas. Até durante o sono e na incessante conquista por espaço, o amor é mais forte. 

Por aí, alguém partilha do mesmo problema?

quarta-feira, 29 de março de 2017

Vamos falar de sexo #1

O sexo faz parte das nossas vidas e não vale a pena ter vergonha disso.
Muitas vezes as concepções sociais de que "As mulheres não falam e não gostam de sexo", criam dificuldades e barreiras para que as mulheres possam, efectivamente, desfrutar dele.

Na minha família somos muitas mulheres e quando estamos todas juntas, as diferenças geracionais são gritantes.
Ao falarmos do tema, convém frisar de uma forma educada e sem expressões brejeiras, a posição das mulheres mais velhas é facilmente perceptível. Vários constrangimentos e tabus. Claro que não é generalizado, mas a tendência é serem menos abertas ao assunto.

Felizmente que as mentes evoluíram e esta vergonha crescente sobre o sexo foi ultrapassada. Os meus pais sempre conversaram comigo sobre o tema. Sempre o abordaram como normal mas nunca com a visão facilitista de que não significa nada.
Sempre responderam às questões que colocava, muitas vezes não directamente sobre o acto mas sobre o meu corpo.
Como cresci num ambiente em que o sexo não foi tabu, hoje não o vejo como tal. Encaro a minha sexualidade como parte de mim, sem me culpabilizar como tantas mulheres pelo mundo fora.

Mas acredito que muitas de nós ainda se sintam envergonhadas e acanhadas de falar sobre sexo. 
Ainda há muito o sentimento que o sexo é sujo e não é bonito falar.
Convém frisar que falar de sexo não é, de todo, falar da nossa intimidade. São duas coisas diferentes e uma, não significa necessariamente, a outra. 

Como vocês encaram o sexo? Com à vontade ou sentem-se constrangias de abordar o assunto?

terça-feira, 21 de março de 2017

O amor não chega...

Hoje é um dia de festejo cá em casa. 9 anos de amor que nos unem. 
E como sempre, dia de reflexão para mim.

O amor é maravilhoso. É um sentimento tão forte que acredito mesmo que move o mundo. Mas sozinho, sozinho o amor não chega. 
As minhas amigas mais chegadas já me ouviram dizer esta frase milhões de vezes, porque é o meu chavão para cada conselho que dou a quem passa por fases turbulentas neste campo.

Ser amado é uma sensação inebriante. Dá-nos coragem, garra e delírio. Mas sozinho, torna-nos refém. Amor por si só é como comer uma sobremesa deliciosa sem colher. Está lá, é lindo, mas não nos satisfaz inteiramente. 

O amor precisa de ser acompanhado com muitas outras coisas. Para mim algumas essenciais como o respeito, a compreensão e o companheirismo.
O respeito para que ao olharmos para o objecto do nosso amor, o virmos como um outro semelhante a nós, com os mesmos direitos.
A compreensão para perceber que todos somos infinitamente diferentes e não podemos esperar que toda e qualquer reacção seja na nossa medida. A maioria das vezes não é.
O companheirismo, para apesar de tudo que nos separa, caminharmos juntos pelos percursos mais acidentados e pelos passeios mais doces. 

Quando nos comprometemos a amar alguém, tem de ser com a consciência que podemos ferir alguém para a vida, por isso, é preciso ir com toda a responsabilidade.

Amar é maravilhosos mas amar com consciência do que estamos a fazer é ainda melhor. 

sexta-feira, 17 de março de 2017

Almas Gémeas

Quando era miúda achava essa conversa de almas gémeas uma barbaridade. Simplesmente porque tudo o que me apresentavam eram casos de romances entre pessoas que eram almas gémeas.
Fui crescendo e mudando de opinião. 

Hoje sei que as almas gémeas não têm nada a ver com amor romântico. Que não são apenas pessoas que formam casais que podem ser almas gémeas. 
Hoje acredito que elas existem. E eu conheço três almas gémeas da minha.

Desde que nasci, rodeada de amor posso afirmar, criei um vinculo especial com o meu pai. Não tem nada a ver com amá-lo mais ou menos do que a minha mãe, nada mesmo, mas o meu pai é uma das minhas almas gémeas. O vinculo é tão forte que não são preciso falar para nos entendermos. Somos e sempre seremos uma equipa que funciona com uma táctica perfeita. Ele conhece a minha essência e eu conheço a dele. Simples assim.

Aos onze anos conheci a minha segunda alma gémea. Quando a peguei pela primeira vez ao colo, pequenina e com uma cabeça de ET, soube naquele momento que ela era mais que minha prima. Ao longo dos anos, fomos ficando cada vez mais ligadas, também por um vinculo muito forte e inquebrável. Somos semelhantes naquilo que acreditamos e defendemos. Cada uma com a sua personalidade, que completa perfeitamente a da outra.

Aos dezassete anos encontrei a minha terceira alma gémea. Aquela com quem vivo e partilho a minha vida. O E, além de ser o homem que eu amo, é o meu melhor amigo. Isto sem o menor cliché. Temos uma dinâmica tão perfeita que ultrapassa o facto de sermos um casal. Somos almas gémeas, que se unem e formam uma completa.

Acredito mesmo que estas pessoas têm uma ligação especial comigo, um vinculo mais forte que os demais. 

Vocês acreditam em almas gémeas ou nem por isso?

sexta-feira, 10 de março de 2017

Marcar presença


Não nasci para passar despercebida. Tenho opiniões marcadas e não te medo de as expor. A minha voz é para ser ouvida sem ser necessário elevar o tom. Gosto que me ouçam e gosto muito de ouvir os outros. 
Tenho atitude, não deixo que ninguém tome as rédeas por mim. Sou dona da minha vida e gosto desse papel. No entanto, muitas pessoas não gostam deste tipo de personalidade.
Ou sou arrogante ou exibida. Sou fria ou vaidosa. 
Não sou politicamente correcta e o mundo não gosta muito disso. Mas vou continuar a sê-lo. Melhor viver bem comigo própria do que com o resto do mundo.
Por aí, alguém sofre com o mesmo? 

quinta-feira, 9 de março de 2017

Eu e Ele #3

Se o E é maravilhoso a limpar a casa, melhor que eu aliás, na cozinhar é terrível. Terrível. 
A par da incapacidade de realizar multitarefas na cozinha, a mão dele não nasceu para encarar uma panela. Mas o pior de tudo é que ele acredita que sim.

Ora eu adoro comida. E adoro cozinhar. E para mim comida boa é aquele que nos aquece os olhos e a boca. Para o E nada disto conta. Desde que esteja aceitável, serve. Isto quando ele cozinha. 
A especialidade dele é portanto um clássico, arroz de atum. 

(Inspiração profunda)

O que dizer disto? Arroz de atum não é uma grande refeição para mim, mas quando bem feito pode ser delicioso. 
Isto tudo para vos contar a primeira vez que o E cozinhou para mim.

Corria o ano de 2009, ambos já saídos da casa dos nossos pais e a viver sozinhos, cada um na sua casa. Normalmente, fazíamos as refeições ou na minha casa ou fora. Mas naquele dia ele disse que o jantar seria na casa dele. Quando cheguei todo um cenário estava montado. 
Tudo a correr bem, portanto. Até me sentar e ele me apresentar um prato de arroz de atum com um aspecto duvidoso. Não deixando cair a máscara lá provei. Basta dizer que gargalhei o jantar inteiro. 
Era tão mau que se tornava bom. 

Ainda hoje é motivo de gargalhadas entre nós, além de o E continuar a achar que cozinha muito bem. Apenas ninguém o deixa aproximar da cozinha.

E por aí, namorados cozinheiros de excelência ou desastres como o meu?