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quarta-feira, 22 de março de 2017

Lutas da POC #6

Quando descobres que tens uma doença como esta a tua vida muda completamente. Começas a ter uma nova perspectiva sobre tudo, por um lado porque descobres finalmente o que te perturba e por outro lado, começas a relativizar.
Mas algo que muda muito é a tua relação com as pessoas. 

Quando tive o diagnóstico da doença, houve um período muito complicado, onde o meu mundo caiu e a depressão assolou a minha vida. 
Ao mesmo tempo que lutava contra isto, tive a necessidade de aprender e conhecer tudo o que podia sobre a POC. 

Toda esta situação alterou as minhas rotinas e as minhas relações. Já falei aqui das pessoas mais importantes na minha recuperação. No entanto, há muito a dizer sobre a amizade e a doença.

No meu caso houve dois tipos de amigos muito bem delineados. 
Os amigos que junto comigo tentaram aprender, que faziam perguntas, que se ofereciam para me acompanhar ao psicólogo, que me visitavam quando o que mais queria era ficar enrolada na cama. 
Depois houve os outros, que simplesmente não se preocuparam com nada. Que a minha situação era minha e nada tinham a fazer.

Não quero de todo fazer juízos de valor sobre as pessoas, ou os meus amigos, mas essa situação fez-me perceber muito bem que nem sempre podemos contar com as pessoas que conhecemos desde sempre.
Porque simplesmente existem amigos que são apenas para as horas boas.
E está tudo bem. 


sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Lutas da POC #5

Para um doente com POC, ter visitas em casa é um pesadelo. Sério, mal tomo conhecimento que vou ter pessoas estranhas à minha rotina durante alguns dias em minha casa, a minha ansiedade sobe a níveis astronómicos.

Não quero parecer mesquinha. Claro que só ficam na minha casa pessoas de que eu gosto e me são próximas, mesmo assim, não dá para relaxar.
Eu tenho uma rotina que me relaxa e é necessária para o meu bom funcionamento. Com pessoas em casa essa rotina é afectada, naturalmente. 
Tirando o meu namorado, que vive comigo e sabe como eu funciono e os meus pais, que me conhecem melhor que ninguém e como o E até me ajudam nesta rotina, as restantes pessoas desconhecem a importância que pequenas acções têm no controlo da minha ansiedade.
Vou vos dar alguns exemplos:

- Arrumar a sala antes de ir para a cama. 
Todos os dias, antes de me deitar, arrumo a sala. Isto consiste em posicionar os objectos no seu lugar correcto, amaciar e posicionar as almofadas no sofá, dobrar a manta e coloca-la o seu lugar, arrumar o tapete, tirar qualquer objecto que não seja deste ambiente. Eu faço isto TODOS OS DIAS. Ora, com pessoas em casa, que muitas vezes ficam na sala depois de eu ir para a cama, é-me impossível fazer isto. Assim, mal acordo a ansiedade domina-me. 
É importante para mim sentar-me no sofá a tomar o meu chá depois do pequeno-almoço e que o ambiente esteja confortável. Não sendo possível torná-lo como gosto na noite anterior, de manhã quando acordo tenho de arrumar tudo e a minha rotina fica logo alterada.

- Limpeza na cozinha.
Eu tenho sistemas de limpeza. Sobretudo com a loiça. Eu lavo tudo muito bem.
Mas há pessoas que pensam que beber um copo de água e passar por água depois o deixa lavado. Pois meus amigos, não deixa. Então é ver-me a lavar loiça que supostamente está lavada, apenas para ficar relaxada.

 - Organização do frigorífico.
Eu gosto do meu frigorífico organizado. Sou daquelas pessoas que chegam das compras e corta todas as frutas, coloca-as em taças todas organizadas. 
Tenho as minhas garrafinhas alinhadas e os pequenos pacotes de iogurtes maravilhosamente compostos. 
Com pessoas em casa todo o ambiente refrigerado é alterado assim como a minha neura. 

São apenas alguns exemplos que me transtornam e me deixa literalmente à beira de um ataque de nervos. 
É preciso muita calma, meditação e auto imposição para relaxar e manter um bom ambiente. 
Mas não é fácil, acreditem. 

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Lutas da POC #4

Para um individuo com uma doença de ansiedade, como é a POC, o diagnóstico, além de exaustivo e excruciante para lá chegar, é libertador. Porque começas a perceber que afinal não és tudo o que durante anos tiveste medo de ser. E essa é a palavra, medo. Que aquele medo que te toldou toda a vida e vivias para esconder afinal é o resultado de algo maior que tu, que até agora não entendias. 

Mas até chegar ao diagnóstico podemos passar por imensas fases, algumas tão ridículas que, pessoalmente, me fazem rir actualmente.

Eu posso afirmar-me como uma acumuladora ligeira. Tenho demasiadas coisas e tenho muita dificuldade de me desfazer seja do que for. No entanto, houve uma altura na minha vida que nada disto era ligeiro.

Com 14/15 tinha uma colecção de jornais acumulada que fazia corar qualquer registo. 
Sendo que o desporto, especialmente o futebol, sempre foi uma grande paixão, era impossível para mim livrar-me de um jornal. Comprava A Bola todos os dias e era impensável desfazer-me do jornal depois de o ler. Assim comecei uma colecção gigante no meu quarto. 
Vivia numa ansiedade tão forte que os meus pais se desfizessem daquele monte de jornais que era a primeira coisa que verificava quando chegava a casa. E se notava que alguém lhes tinha mexido, o choro e a revolta era incontrolável. 
Aquele monte de jornais significava uma estabilidade emocional que além de não conseguir compreender, não me conseguia libertar.

Lembro-me perfeitamente de estar deitada na cama a encarar aquele monte de jornais e sentir uma angústia e uma vergonha imensa. Detestava o que eles significavam mas a pequena ideia de me desfazer daquele monte de informação era tão mais angustiante. 

Foi através da terapia que um dia percebi que o monte de jornais me fazia mal e que tinha de me desfazer deles. 
Lembro-me de sentir uma perda tão grande no momento que coloquei apenas um para a reciclagem que assumi naquele dia que não o conseguiria fazer. Então pedia ajuda.
Pedia aos meus pais para o fazerem por mim e enquanto tomava banho, o único lugar que ainda hoje me consegue relaxar suficientemente, eles levaram tudo.

Foi uma altura difícil, foram dias que vivi com uma verdadeira angústia. Até realizar que os jornais podiam trazer algum tipo de bichos para o meu quarto. 
Claro que apenas troquei uma ansiedade por outra mas nunca mais juntei nada do género em nenhum local da casa.

Hoje em dia consegui livrar-me deste tipo de acumulação, mas como já referi, tenho demasiadas coisas e sei bem porquê. Sinto-me segura ao tê-las. Sinto-me mais calma. 
E desfazer-me de algo cria ansiedade, cria angústia mas obrigo-me a fazê-lo para bem da minha sanidade.

Para quem tem este tipo de doença todos os dias é uma luta, mas quando começamos a conhecer o que temos e como funciona tudo se torna mais fácil. 

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Ansiedade. A dor de alma que nos limita a vida.

Sofro de ansiedade desde que me lembro. A POC é, claro, uma doença de ansiedade.

Desde muito criança sou demasiado racional. Penso e repenso as questões até à exaustão. Criando cenários catastróficos, cenários onde eu sou impotente.
Sofro, sofro imenso. mas hoje tenho armas, devido ao crescimento e amadurecimento. Li muito, trabalhei os meus instintos e hoje consigo, na maioria das vezes, afastar os cenários mais angustiantes como os ataques de pânico.  
Houve tempos em que tive mais de cinco ataques de pânico por dia, onde não conseguia saia à rua sem horas de sofrimento a pensar em tudo o que podia correr mal.
A ansiedade não é uma brincadeira, não é um chamado de atenção.
É uma doença, grave, que nos limita a vida e nos tira a vontade de fazer qualquer coisa. 

Por isso é preciso alertar, sempre. 
Muitas pessoas menosprezam o que sentem por medo ou vergonha. Não dão a importância devida a uma doença tão grave e castradora.
É preciso que quem já enfrentou e continua a enfrentar dizer para os outros, Está tudo bem
A ansiedade é complicada mas nós, com força e foco, conseguimos atenuá-la. 
Somos capazes de fazer a vida melhor, mais brilhante e feliz. É preciso vontade e determinação.
Vou vos dar algumas das dicas que uso no meu dia-a-dia que me ajudam a controlar e driblar a minha ansiedade.

- Meditar. Ajuda demais. Tirar um tempo por dia para limpar a cabeça e tentar equilibrar a nossa energia é fundamentar. Nos primeiros dias é difícil. Lembro-me que achava que era mais uma bizarrice minha, mas depois quando fui lendo e aprendendo tornou-se essencial para o meu equilíbrio. 

- Usar o sim. Tenho dias em que simplesmente não uso afirmações negativas. Que desfruto da positividade do dia e uso o Sim sem medos. É libertador.

- Rir. Rir é uma das coisas mais libertadoras para o corpo. e nós rimos pouco, no geral. Assim, tento rir o mais possível, mesmo que o meu estado não seja o mais propicio a isso. 

- Andar. Sem rumo, sem obstáculos, sem medos. Andar e ver o mundo, libertar a mente e o corpo. É terapêutico. 

- Agendar as preocupações. O nosso cérebro é maravilhoso. Eu tento ter momento para me preocupar, momentos onde me sento e deixo-me levar pela ansiedade. Deixo-a sair e extravasar. Depois recito o mantra, Esta tudo bem, até à exaustão. É importante deixar sair estes pensamentos, mas é importante também saber controlá-los. 


Espero que ajude alguém e se um dia precisarem de alguém para conversar sobre isto, estejam à vontade. Juntos somos mais fortes.



quinta-feira, 9 de junho de 2016

Lutas da POC #3


Uma doença, qualquer que seja, é sempre um peso enorme não só para quem a tem, mas para aquelas pessoas que a rodeiam (e que se importam).

Para o doente é algo muito pessoal, que falarei em qualquer outro dia, mas para aqueles que nos rodeiam pode ser uma prova dura de ultrapassar. Porque ora bem, a doença não é propriamente deles, logo não sentem o que o doente sente, muitas vezes nem percebem. No entanto conseguem sentir algo bastante poderoso, a impotência. Na grande maioria das doenças não há nada que os "outros" possam fazer, só esperar.
Cada um reage como sabe e pode, no meu caso, os meus três grandes pilares reagiram de maneira completamente diferente entre eles. 
Partindo do principio que todos se informaram do que era a POC temos as seguintes reacções:

A minha mãe, desvaloriza. Tenta relativizar qualquer crise, enchendo-me de assuntos e pequenos trabalhos para me distrair. Quando se apercebe que o meu estado não é o melhor, liga-me 50 vezes por dia com os assuntos mais remotos que consegue arranjar, sem nunca tocar no verdadeiro porque do meu estado.

O meu pai, panica. Basta estar mais apática, que pergunta-me 1250 vezes o que tenho, como me sinto, se preciso de alguma coisa, o que quero fazer. No fundo é um estado de solidariedade completa, se estou mal ele fica também.

O meu namorado, absorve a doença. Dos três foi o que fez a pesquisa mais profunda. Leu tudo o que conseguia e não me parou de fazer perguntas sobre o que sentia. Sabe detectar o meu estado apenas pela minha voz e não vale de nada tentar disfarçar. No meio de uma crise, faz da doença não a minha, mas a nossa. No entanto é também o mais implacável. Não há mimimi que lhe resista, com ele é reacção.

São realmente diferentes, mas são as pessoas que me ajudaram na pior altura, que me levantaram e que todos os dias me ajudam a ultrapassar esta visitante. Sem esta força, sem este acreditar a luta teria sido muito mais dura e complicada.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Lutas da POC #2


Gosto muito de cozinhar. O tempo que passo na cozinha a confeccionar os pratos que mais gosto é sempre um dos preferidos do dia. Mas sou um caos na cozinha. Porquê? Porque utilizo todos os utensílios a que tenho direito (um recipiente para cada alimento, nada de misturar), uso 50 colheres para provar um molho (isso de lavar e utilizar a mesma colher parece-me tão pouco higiénico) e lavo tudo ao extremo. Não sendo assim tão adepta de carne, o meu dilema são mesmo os vegetais e frutas. Eu adoro tudo o que a terra nos dá. Apenas não como beterraba porque sou alérgica e pêra porque odeio a textura. Tudo o resto adoro de paixão. A piada (not) está na forma como preparo tudo. Por exemplo, comer uma simples laranja é uma tarefa complexa. Primeiro lavo a casca da laranja, sim, porque não sei onde a laranja andou até chegar cá a casa. Descasco-a. Agora faço uma pausa para lavar as minhas mãos. Porque descascar uma laranja deixa-nos com uns sucos estranhos entre as unhas que têm de ser rapidamente limpos antes de secarem e ficarem uma meleca ainda maior. Depois de lavar as mãos, parto a laranja nos devidos gomos, tirando todos fios que lá estiverem. Lavo as mãos. Como a laranja. Lavo as mãos.

Outra coisa engraçada, e esta acho que é mesmo só mania (ou tento convencer-me que é), é o facto de literalmente puxar o lustro à fruta e vegetais antes de os comer ou confeccionar. Pois pego no meu paninho é vá de limpar até ficarem a brilhar.
Claro que hoje faço isto de maneira tão automática e própria que ninguém que me conhece dá muita importância, é simplesmente a minha maneira de fazer as coisas. Claro que há sempre uma amiga ou prima que implica um pouco, mas na minha cabeça não outra forma de fazer as coisas. 
Não ter tudo devidamente separado e limpo, muito limpo, é razão para os meus níveis de ansiedade subirem em flecha. Começo a imaginar os cenários catastróficos que podem ocorrer se as coisas não forem executadas à minha maneira, pelo menos quando sou eu a fazer as coisas.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Lutas da POC #1


Não me recordo de mim sem ter "manias". A verdade é que a parte maior do meu sofrimento com este transtorno vem das obsessões, estas sim são capazes de me derrubar. As compulsões são mais uma consequência. Algo que eu tento não fazer, mas que a Poc leva a melhor, quase sempre. A maior de todas é sem dúvida lavar as mãos. Eu sempre fui obcecada por lavar as mãos. Os meus pais contam que por volta dos 4/5 anos, se desaparecia por um segundo estava decerto a lavar as mãos. Deve ser por isso que gosto tanto de sabonetes.

Lavar as mãos acalma-me, relaxa-me, alivia-me. É a primeira coisa que faço quando acordo, quando me deito, quando saiu de casa, quando chego a casa. É por esta necessidade que detesto tocar em pessoas e objectos desconhecidos. Não quero dizer que sou daquelas pessoas que não tocam as outras. Bem, quer dizer isso mesmo. Se não conhecer a pessoa não a vou cumprimentar se puder evitar. Se for com os típicos beijinhos onde mal nos tocamos ainda consigo assentir, agora apertar a mão a alguém é uma batalha mental de proporções épicas. Eu não sei onde a pessoa andou com as mãos. Talvez tenha tossido. Talvez tenha colocado o dedo no nariz. Talvez tenha coçado o ouvido ou colocado o dedo em sítios menos próprios. Ou pior, pode estar suado. Tudo o que consigo imaginar naqueles milésimos de segundos me faz arrepiar e desejar sair a correr para dar uma lavagem de precaução nas minhas preciosas mãos. Mas os meus pais educaram-me bem e as vezes tenho de me sacrificar. Mas mal as mãos se tocam começo a fervilhar de ansiedade. Eu tenho de lavar as mãos. Eu tenho de lavar as mãos. Eu tenho de lavar as mãos. Eu tenho de lavar as mãos. Eu tenho de lavar as mãos. Eu tenho de lavar as mãos. Eu tenho de lavar as mãos. Eu tenho de lavar as mãos. Eu tenho de lavar as mãos. É assim que a minha cabeça começa a funcionar.
É claro que isto já me condicionou em algumas situações, algumas mais graves que outras. Lembro-me de uma vez na faculdade, num exame, onde passados meros 15 minutos depois de começar, ao colocar-me numa posição confortável, toquei em algo colado na borda da mesa. É claro que quando vi que era uma pastilha acho que até perdi o ar. Pedi encarecidamente ao meu professor para me deixar ir lavar as mãos, mas ele apenas olhou para o meu gel desinfectante (BFF ❤) em cima da mesa e deu-me um redondo "Não" como resposta. É assim, eu adoro gel desinfectante, mas não é a mesma coisa. Nada substituí água e sabão. Nada.
Conclusão, entreguei o exame que valia a nota do semestre 15 minutos depois de começar, simplesmente para ir lavar as mãos.
Mas convenhamos, existe alguma coisa melhor que umas mãos lavadinhas e a cheirar a limpo?

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

A Perturbação Obsessiva - Compulsiva.

Eu tenho POC. Ou TOC. O que interessa é que sofro de uma patologia obsessiva - compulsiva.

Pausa para respirar fundo. (Cada vez que o digo, falha a respiração.) 

Antes de mais quero esclarecer o que é a POC. 


Obsessões são ideias, pensamentos, impulsos que a pessoa não quer ter, mas não controla e causam ansiedade significativa. Por exemplo, a ideia de ficar contaminado por tocar num objecto ou superfície, a dúvida persistente se fechou ou não uma porta, se a roupa está bem lavada, se as mãos estão limpas após as ter lavado, a necessidade de contar objectos ou realizar tarefas segundo uma determinada ordem ou impulsos, como por exemplo, magoar, ferir alguém, de utilizar facas ou outros objectos perigosos com pessoas próximas, entre muitos outros exemplos.

As compulsões são comportamentos, acções, pensamentos, em resposta ao mal-estar causado pelas obsessões. Por exemplo, o pensamento obsessivo repetido de que as mãos estão sujas, surge a compulsão de lavar as mãos até aliviar o mal-estar. Isso pode acontecer várias dezenas de vezes por dia

Sempre tive manias. Sempre sofri de ansiedade. Sempre soube que algo não estava bem. 
Apenas aos vinte e três anos é que descobri.

Lembro-me perfeitamente do meu primeiro ataque de pânico. Tinha seis anos. 
Pensei que ia morrer naquele dia.
A origem? Estava convencida que era adoptada. Não queria perguntar a ninguém pois tinha a certeza que iriam confirmar a minha história.
Não conseguia pensar em mais nada, e vinte anos depois consigo ainda sentir aquela angustia. 
Tudo culminou num tremendo ataque de pânico e na minha primeira visita ao psicólogo. 
Claro que a minha história não passava de criação de minha cabeça e infelizmente o psicólogo disse que era criatividade. Foi há vinte anos.

Durante toda a minha vida tive estes momentos. Que aprendi a manter para mim. Nem sempre acontecia, mas quando acontecia tentava ao máximo esconder. Não sabia bem explicar e achava que ninguém iria perceber. E tentava camufla-los na minha mente com as compulsões.

Não tenho muitas compulsões, felizmente. Mas as que tenho levo ao extremo.

É exaustivo. É horrível. É a minha doença. 

Pouco tempo depois de fazer vinte e três anos, a minha vida corria perfeitamente e começaram as obsessões de forma intensa. 
Dia após dia pioravam e eu fui enlouquecendo. 
Chorei desde acordar até dormir, estava assustada. E tomei a melhor decisão da minha vida. Ao terceiro dia, decidi procurar ajuda e não lutar sozinha. 
Finalmente descobri o que tinha. 
Por fim tinha um nome para a minha angústia. 

Os dias em que me sinto exausta apenas de pensar; os dias em que me detesto porque não entendo de onde vem tudo aquilo; as incontáveis e massacrantes lavagens as mãos e braços; as verificações das portas; os dias que não são dias. Tudo teria um nome a partir daquele momento. 

É uma luta diária. Creio que será uma das grandes lutas da minha vida. Mas como em tudo, eu nasci para vencer.