Nunca passei por um térmito de relação amorosa. O E foi a minha primeira relação séria.
Todos os restantes, nunca os vi como uma coisa para o futuro, assim, quando acabou foi só uma confirmação do que já previa.
Mas já assisti a muitas. De amigas, primas, tias e conhecidas. Muitas mulheres fortes e capazes mas que na altura das rupturas se transformam em seres menores e frágeis.
Lembro-me de duas rupturas que me ficaram marcadas na alma. Duas tias que foram muito maltratadas, uma até fisicamente. Que nunca tiveram a coragem de dizer chega e quando os seus maridos o fizeram, a vida parou para elas.
E só quando iniciaram novas relações, muito rapidamente, foram felizes.
Compreendo que muitas pessoas só são felizes em relações, são feitas para estar com alguém.
Se isso já me preocupa, o que me aflige mesmo é a messagem que passa.
Não acredito que temos de ser exemplos para o mundo. Nem todos temos essa exigência, felizmente. No entanto, há sempre pessoas que são influenciadas por nós.
Filhas, sobrinhas e amigas.
E se lhes damos o exemplo que sozinhas não somos suficiente, estamos a proliferar a dependência intrínseca que ligam ao género feminino.
Nós, mulheres, que desejamos e lutamos há séculos por igualdade e direitos, temos de começar a acreditar e a espalhar essa crença.
Uma mulher, sozinha ou acompanhada, é suficiente por ela própria. Não precisa de ninguém para ser alguma coisa.
É forte, capaz e determinada. Inteligente, bonita e lutadora. Somos tudo o que precisamos.
Somos suficientes.
E temos de uma vez começar a espalhar esta mensagem para que as futuras gerações percebam que não precisam de estar ligadas a ninguém para serem mais e melhores.
