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quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Como um abraço mudou a minha vida

Desde que nasci tive as demonstrações de afecto como um dado adquirido. Na minha família damos beijos, abraços, dizemos que nos amamos numa base diária. É impensável para mim coisas como terminar o telefonema da noite com o meu pai sem dizer que o amo ou sair de casa sem dar um beijinho ao Eddie. Fui educada a dar beijnhos aos meus avós e tios a cada vez que chegava à casa deles assim como os meus primos, sejamos meninas ou meninos. Os meus sobrinhos e primos mais novos dão beijos de boa noite antes de ir para a cama e tratarmo-nos por nomes carinhosos é a regra. 
Por isso mesmo, até bastante tarde não dei o real valor a isso. 
Sempre tive vários amigos. Alguns com vivências semelhantes à minha, muitos com diferente. E foi uma dessas amigas que me ensinou que um abraço pode ser a uma arma muito poderosa.

Quando era miúda, as amigas andavam de braço dado. Nunca foi uma coisa que eu achasse particularmente piada, mas as minhas duas melhores amigas, que me acompanharam desde o infantário, achavam incrível. E se na maioria das vezes me esquivava deixando-as andar as duas de braço dado e eu solta e livre, por vezes era encurralada no meio das duas. 
Mas era moda, toda a gente andava assim e não havia mal nisso. 
Ora num dos meus anos de ciclo, não consigo precisar qual, tive uma colega com muitas carências. Motivada com um sentido de justiça que me acompanha até hoje, consegui que a escola a deixasse tomar banho todos os dias no balneário e com a ajuda da minha família comprei-lhe um pequeno guarda-roupa e produtos de higiene, conseguindo-lhe dar-lhe uma normalidade que entre adolescentes é desejada. 
Ela tinha uma história de vida difícil e nesta nossa cruzada para lhe dar aquilo que ela infelizmente não tinha, ficamos amigas. Era uma miúda incrível, um coração de ouro e merecia muito mais do que a ajuda que lhe estávamos a dar.
No final de um dia de aulas normal, que me lembro como se de hoje se tratasse, estávamos a sair da sala e eu dei-lhe o braço até à saída da escola. Quando vi os meus pais à minha espera dei-lhe um abraço e quando me começava a virar para ir embora ela começou a chorar. 
Fiquei muito aflita, porque até dois segundos atrás ela estava bem e quando a interroguei o que se passava ela disse uma frase que me atormenta até hoje " Tu nunca me tinhas abraçado nem dado o braço. Eu já não me lembro a última vez que alguém me deu um abraço.". 
E este é um daqueles momentos que muda a nossa vida.

Algo tão simples como abraçar alguém que nos é querido pode fazer a diferença. A partir deste dia, deixei de banalizar o carinho que tinha da minha família e comecei a ser muito mais atenta às necessidades emocionais dos meus amigos. 
Porque um abraço, um "gosto de ti", uma carícia não custa nada mas aproxima as pessoas e fá-las mais felizes. Mais completas.
E eu, uma pessoa rodeada de amor, fui aprender esta lição com quem não tinha nenhum. 

quarta-feira, 22 de março de 2017

Lutas da POC #6

Quando descobres que tens uma doença como esta a tua vida muda completamente. Começas a ter uma nova perspectiva sobre tudo, por um lado porque descobres finalmente o que te perturba e por outro lado, começas a relativizar.
Mas algo que muda muito é a tua relação com as pessoas. 

Quando tive o diagnóstico da doença, houve um período muito complicado, onde o meu mundo caiu e a depressão assolou a minha vida. 
Ao mesmo tempo que lutava contra isto, tive a necessidade de aprender e conhecer tudo o que podia sobre a POC. 

Toda esta situação alterou as minhas rotinas e as minhas relações. Já falei aqui das pessoas mais importantes na minha recuperação. No entanto, há muito a dizer sobre a amizade e a doença.

No meu caso houve dois tipos de amigos muito bem delineados. 
Os amigos que junto comigo tentaram aprender, que faziam perguntas, que se ofereciam para me acompanhar ao psicólogo, que me visitavam quando o que mais queria era ficar enrolada na cama. 
Depois houve os outros, que simplesmente não se preocuparam com nada. Que a minha situação era minha e nada tinham a fazer.

Não quero de todo fazer juízos de valor sobre as pessoas, ou os meus amigos, mas essa situação fez-me perceber muito bem que nem sempre podemos contar com as pessoas que conhecemos desde sempre.
Porque simplesmente existem amigos que são apenas para as horas boas.
E está tudo bem. 


quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Especial Regresso às Aulas - Dicas para tudo correr bem



(Imagens retiradas da Internet)

Tenho muito boas recordações dos tempos tanto da escola como da faculdade. 
Nunca fui uma aluna muito stressada, sempre consegui ter tempo para me divertir e levar a escola a sério. O único problema que tinha, e continua, é que não sei estudar. Nunca nenhum sistema foi verdadeiramente capaz de me fazer ter a atenção suficiente para estar 2 horas seguidas a estudar.
A minha sorte foi a forma atenta como presenciava as aulas e as anotações, estranhas, porém muito assertivas, que ia tirando. E era com essas anotações que em 15 minutos arrumava o estudo do dia.

Como acho que seja o liceu ou a faculdade, devemos ter um óptimo tempo e para que não se torne um tormento, aqui ficam as minhas dicas para que este ano seja bom, muito bom.

- Começa de cabeça limpa. As férias estão a acabar, ou já acabaram, e todos ficamos deprimidos, mas o mundo não acabou. Vai começar uma nova fase, novas experiências e aventuras. Limpa a cabeça de qualquer preconceito e aproveita estes anos.

- Começa a estudar logo de início. Sim, eu disse que não sabia estudar, mas isso não significa que não fizesse nada quando chegava a casa. Como referi, lia as minhas anotações e com o que já tinha apreendido nas aulas, dava-me um bom contexto do que estávamos a estudar. 

- Conhece os teus professores. Lembra-te que iniciar o ano com birras com os professores só te vai prejudicar. Eles estão lá para te ajudar, a maioria pelo menos.

- Arranja a mochila/carteira e a roupa na noite anterior. Este foi um dos truques que desde cedo a minha mãe me ensinou. Ter tudo arranjado e pronto para quando sair do banho de manhã não ter de correr à procura de nada. 

- Arranja o lanche/almoço no dia anterior. É importante levar um snack connosco. Eu detestava os lanches que nos serviam no liceu e na faculdade então era hábito levar os meus. Práticos, bons e mais saudáveis. Na faculdade cheguei a levar almoço alguns dias uma vez que era equipada para nos permitir aquecer a comida. Bem prático e uma vez mais, mais saudável do que as opções do refeitório.

- Faz amigos. A escola/faculdade não são apenas para estudar. Posso dizer que tenho grandes amigos que conheci à muitos anos lá pela creche e escola primária. Outros pelo secundário e liceu, assim como na faculdade, lugar onde o convívio é tão intenso como as aulas. 
Tudo isso faz parte da experiência e é muito importante. Por isso, convivam, conversem e divirtam-se. 

O mais importante de tudo é mesmo aproveitar. Aquele mega cliché "Vais ter saudades do tempo de estudante" é mesmo verdade e quem ainda está nessa fase o melhor é mesmo aproveitar ao máximo.
E estudar, estudar também é importante. 

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Tão amigas que elas eram!

Ao longo dos anos tive várias amigas que hoje já não o são. Dentro dessas, houve duas grandes amigas, daquelas que ficariam para a vida, que devido a algumas situações, também já não o são.
Acho que são coisas que acontecem. As pessoas crescem, amadurecem e há algumas coisas que se perdem. Deixamos de nos identificar com algumas coisas, deixamos de ter interesses comuns. É normal. 

O que não acho normal é passarmos de amigas a inimigas mortais. 

Algumas dessas minhas amigas, atenção falo de amigas mesmo não de coleguinhas, não foram muito correctas comigo e eu não fui correcta com algumas.
Houve casos em que chegaram a tentar causar um mal maior na minha vida, com boatos e mentiras. Eu nunca me deixei levar nessas teias. Defendi-me quando o tive de fazer mas não guardo o mínimo rancor. 

Esta situação é demasiado comum. Meninas e mulheres que são amigas e que se chateiam e viram inimigas. Falam mal, tentam criar uma imagem distorcida da outra e renegam tudo o que passaram juntas.
Incomoda-me imenso

Chamei amigas àquelas pessoas um dia e não foi por acaso. Acho que a amizade é algo sério e demasiado importante para ser um rótulo em vão. 
Desentendimentos acontecem e por vezes perduram mas isso não nos dá o direito de menosprezarmos as vivências que tivemos juntas, os momentos que nos fizeram ser amigas um dia.
Por isso acho importante repensar a forma como nos posicionamos.
Eu decidi há muito tempo que não quero ser aquela menina ressabiada que fala mal e critica quem um dia amou. Sim, porque a amizade é das mais puras formas de amor.

Se a vida vos afastou de alguém, daquela amiga importante, não reajam com ódio. Fiquem contentes pelos momentos que passaram e mantenham apenas as coisas boas. 
Um dia, ao olhar para trás vão ser muito mais felizes a ver o bom daquela relação, do que chafurdarem no mal que vos fez e que vocês fizeram a alguém.