Os meus pais foram crianças à pressa, devido ao caminho que cada um teve de percorrer, tiveram pouco tempo para ser crianças, mas ainda foram.
Antes deles, os meus avós, foram daquela geração onde a maioria dos homens nunca foram meninos.
Eu nasci num período fácil, onde tudo nos caiu nas mãos, onde aparentemente era fácil ser criança. Mas visto bem, não era.
A minha geração foi a primeira a carregar o impacto tecnológico bem cedo, a misturar aquilo que era brincadeira com vício. Mas foi aí que os meus antecessores diretos tiveram um papel fundamental para que a minha infância tenha sido maravilhosa.
Fui criança a valer.
Andei descalça, corri e sujei-me, rachei a cabeça, fiz teatros e trepei tantas árvores. Por viver perto do mar, nadei e mergulhei, sujei-me com o lodo da minha ria e apanhei caranguejos. Roubei flores às vizinhas para fazer arranjos e durantes tardes infinitas joguei na rua ao ringue com os meus vizinhos. Dancei com a minha saia de cigana e alimentei os borrachos do meu avô. Destruí a casa dos meus avós com os meus companheiros de crime e fiz bolos de areia.
É verdade que também vi muitos desenhos animados, tive telemóvel e computador cedo. Mas fui uma menina que viveu a infância em pleno e com apenas 26 anos tenho saudades de ser criança. Hoje ainda carrego muitos dos hábitos de quando era apenas a “carochinha” e por isso acho tão pertinente este dia.
Para nos lembrarmos que não é apenas o dia de dar as prendas aos meninos, que também fazem parte, mas é sim o dia de levar os miúdos para se sujarem e correrem e respirarem, não dar raspanetes porque não se comportam como adultos e deixa-los apenas ser aquilo que são, crianças.
E lembra-los, que tantos meninos espalhados pelo mundo nunca puderam passar por aquele que é o período mais fantástico da vida humana.
Sejam crianças.
Bom dia a todos!






