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terça-feira, 6 de março de 2018

Eu, Nádia Sofia, me confesso.

Quando uma mulher engravida, além de todas as coisas inerentes, o futuro nome é uma grande questão.
Todos nós temos uma ideia de qual nome queremos dar aos nossos filhos, quando e se os tivermos. Pode ser em homenagem a alguém, por gosto ou por moda. No entanto, muitas vezes, esquecemos que esse nome fica com a pessoa para sempre. Sempre!

Os meus pais tinham dois nomes, cada um mais horrível que o outro. Isto antes de eu ser sequer feita, o meu pai gostava do nome Elita e a minha mãe do nome Branca Flor. Tenso!
Mas quando a minha mãe engravidou, um discernimento muito necessário assolou-se deles e puseram estas pérolas de lado e chegaram ao nome Nádia. 
Nádia é um nome muito dos anos 80 e quase todos sugiram da mesma fonte. Ambos os meus pais gostavam de ginástica e a maravilhosa Nadia Comăneci foi a influência do meu nome. 
Nada mau ter o nome do primeiro perfect 10.0 a influenciar o meu nome.

Eu adoro o nome Nádia. Acho-o forte, com personalidade e identidade. É um nome que se adequa imenso a mim.
Mas depois, os meus queridos pais arruinaram tudo. Atenção, eu gosto de Sofia. Acho um nome bonito e era capaz de chamar Sofia a uma filha. No entanto, mais uma vez os anos 80 a fazerem estragos, para quê o segundo nome? Para quê o Nádia Sofia?
O Sofia é um um corpo morto no meu nome. Não uso, não me identifico, não sou. A única pessoa que o usa é o Eddie para me atazanar e os meus pais durante a infância/adolescência para me aterrorizar quando fazia asneiras. Para mais nada. Nunca!

Devo confessar que chego a estremecer quando tenho de dizer o nome completo e muitas vezes utilizo um simples S. para não colocar a tristeza da combinação que os meus pais arranjaram. Não gosto mesmo.

Alguém se identifica? Muitas pessoas traumatizadas com as escolhas dos seus pais?

domingo, 4 de março de 2018

Oscars 2018 - Filmes nomeados #3

A poucas horas da entrega dos prémios, ficam aqui os últimos filmes nomeados. Podem ver a minha opinião sobre os restantes aqui e aqui

Call Me By Yout Name 

It's the summer of 1983 in the north of Italy, and Elio Perlman, a precocious 17- year-old American-Italian, spends his days in his family's 17th century villa transcribing and playing classical music, reading, and flirting with his friend Marzia. Elio enjoys a close relationship with his father, an eminent professor specializing in Greco-Roman culture, and his mother Annella, a translator, who favor him with the fruits of high culture in a setting that overflows with natural delights. While Elio's sophistication and intellectual gifts suggest he is already a fully-fledged adult, there is much that yet remains innocent and unformed about him, particularly about matters of the heart. One day, Oliver, a charming American scholar working on his doctorate, arrives as the annual summer intern tasked with helping Elio's father. Amid the sun-drenched splendor of the setting, Elio and Oliver discover the heady beauty of awakening desire over the course of a summer that will alter their lives forever.

Simplesmente, adorei este filme. É uma história envolvente, personagens muito densas e uma verdadeira lição de vida. Além de me enamorar pela filme fiquei com vontade de embarcar para Itália amanhã. Para finalizar, este é um dos melhores monólogos que vi nos últimos anos. 

“In my place, most parents would hope the whole thing goes away, or pray that their sons land on their feet soon enough,” Mr. Perlman says. “But I am not such a parent. In your place, if there is pain, nurse it, and if there is a flame, don’t snuff it out, don’t be brutal with it. Withdrawal can be a terrible thing when it keeps us awake at night, and watching others forget us sooner than we’d want to be forgotten is no better. We rip out so much of ourselves to be cured of things faster than we should that we go bankrupt by the age of 30 and have less to offer each time we start with someone new. But to feel nothing so as not to feel anything—what a waste!”

Phantom Thread

Set in 1950's London, Reynolds Woodcock is a renowned dressmaker whose fastidious life is disrupted by a young, strong-willed woman, Alma, who becomes his muse and lover.

Daniel Day-Lewis é um dos grandes e o seu papel foi brilhante. A história é envolvente mas eu, além de gostar de filmes que me deixem perdida, não gosto de filmes que me deixam em branco. E este deixou-me. Normalmente no fim de cada filme a minha cabeça viaja por hipóteses e novos caminhos mas após ver este filme a única coisa que consigo dizer é que os actores foram magníficos mas a história não me chega. Não me comove, não me transforma, não me emociona. Nada. 

Agora com todos os filmes nomeados para o grande prémio vistos, e mais alguns que também estão nomeados, vamos às apostas.
Para mim The Shape of Water é o melhor filme, seguido por Three Billboards Outside Ebbing, Missouri e Call Me By Your Name. Gary Oldman leva o melhor actor e Frances McDormand leva o de melhor atriz. Sam Rockwell e Allison Janney ganham os actores secundários.
E para finalizar o melhor filme de animação vai para Coco, que é fofinho, fofinho. 
As restantes categorias deixo para quem percebe da coisa.

Quais as vossas apostas? Viram todos os nomeados?

terça-feira, 24 de outubro de 2017

O horror do outro lado.

The Hateful Eight. The King's Speech. The Artist. The English Patient. Silver Linings Playbook. Iquilibrium. The Lord of the Rings. Lion. Kill Biil. Pulp Fiction. Shakespeare In Love. Gangs of New York. Carol. Entre muitos outros.

Alguns são blockbuster, outros filmes de culto. O que todos têm em comum é que passaram pelas mãos de Harvey Weinstein. 

Nas últimas semanas fomos confrontados com dezenas de acusações contra o produtor. Das maiores estrelas de Hollywood às mais pequenas, multiplicam-se as acusações sobre o produtor, que ao longo dos anos foi violando os direitos de várias estrelas com quem trabalhou.

Sobre as acusações, só pecam por tardias. Percebo a dificuldade e o medo que estas mulheres enfrentam para divulgar estas acusações porque não é nada fácil acusar um homem poderosíssimo, o rei de Hollywood. Muitas carreiras podem ter sido arruinadas, muitas mulheres foram postas em causa e uma teia de mentiras foi contada. 

No entanto a questão aqui é até que ponto pudemos misturar o homem com a obra. 
Da listagem que aparece na primeira linha, todos os filmes são mais o menos aclamado, mas não pudemos fugir da importância de muitos deles. E hoje, depois de sabermos de tudo o que se passou por trás, não os pudemos ver da mesma maneira. 
Não, não vamos deixar de gostar de um filme porque foi produzido pelo Weinstein, mas pudemos e devemos olhar para aquelas actrizes com outros olhos. 
Quando as vemos maravilhosas nas passadeiras vermelhas não pensamos no outro lado do glamour, no que são forçadas a abdicar. Sobretudo da dignidade.
Uma das acusações que recaem sobre o produtor é a pressão que fazia para as actrizes dos filmes que produzia usassem a marca da sua esposa. a Marchesa
Podemos concluir assim que estas actrizes eram condicionadas não só no panorama físico mas também no seu livre arbítrio. Uma coisa é escolherem serem patrocinadas por uma determinada marca, outra é serem obrigadas em nome da manutenção da sua carreira.  

Hoje, depois de termos o conhecimento do tudo isto temos cada vez mais de nos unirmos em torno da máxima que toda e qualquer mulher tem de ser respeitada, quer seja no glamour de Hollywood ou na batalha do nosso dia a dia. Porque dependendo da conta bancária ou das maiores ou menores facilidades nas trivialidades da vida, ser mulher é difícil, mesmo. 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Especial Dia dos Namorados #5 - O Amor



Muitas pessoas apregoam aqueles lugares comuns como "Não gosto de datas pré estipuladas, onde nos dizem o que temos de comemorar." Tal qual como o Natal é quando um homem quiser e o Dia da Mulher é despropositado.

Era bonito. Era bom vivermos numa sociedade onde não fosse necessário estipularmos datas especificas para comemorar algo. Mas a verdade é que não vivemos. 
Vivemos numa sociedade que corre a uma velocidade que nos faz correr para acompanhar, numa sociedade que nos cobra tanto tempo, que fica difícil pararmos para comemorar seja o que for. 
Era bom, mas não é verdade.

Cada um sabe de si e da forma como quer e sabe viver a sua vida. Se eu preciso do Dia dos Namorados para amar e me sentir amada? Não, não preciso. Mas eu sou abençoada nesse quesito. Mas jamais posso julgar o mundo através do meu espelho.

Hoje, há casais a partilhar uma refeição sozinhos a primeira vez em meses. Há mães a embelezarem-se e a usar aquele perfume especial. Há pais a usarem aquela camisa das ocasiões especiais. Há casais a sair para se divertirem a primeira vez desde que o seu bebé nasceu. 

Há floristas a comprar um jantar especial porque as vendas foram tão boas. Donos de restaurantes a dar um bónus aos empregados porque a noite rendeu. 

Há todo um mundo de pessoas mais felizes porque o dia do amor acontece. 

E o amor é isso. Melhorar a vida. De quem for. Quando for. De que forma for. 

Vamos espalhar amor hoje, mesmo que seja com data marcada. 
E para quem é abençoado, vamos espalhar de novo amanhã.

Feliz Dia dos Namorados a todos. 

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

O poder do Não.



Desde muito pequena que me ensinaram que não é NÃO! Não é uma palavra em vão e não serve apenas para formar frases ou criar charme (o que detesto esta ideia).

Quando nos negamos não é em vão. Como pessoas, é-nos dada escolha sobre as nossas acções e afirmações. Assim é preciso usá-lo. E saber usá-lo. Se há coisa que me irrita profundamente é a noção que o não é flutuante. Que não é uma palavra fixa. 

Como mulher o não é mal compreendido. Muitas vezes, como referi anteriormente, é mal interpretado como charme que a mulher faz. Não é! É o nosso direito à negação. Temos o direito de dizer não e afirmar esse direito.

Como pessoa, somos levados a não usar o não. Somos ensinados a aceitar muitas coisas que não gostamos e nos deixam desconfortáveis apenas para não usar a palavra. O uso do não é visto muito como má criação e ligado a pessoas ranzinzas.
Eu não concordo. Se por um lado dizer sim é bom para expandir conhecimentos e experiências, dizer não é libertador. 
Recusar o que não queremos, recusar o que não gostamos, recusar aceitar tudo. 

É preciso saber usá-lo mas sobretudo é preciso usá-lo. 


segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Tu és suficiente!

Nunca passei por um térmito de relação amorosa. O E foi a minha primeira relação séria. 
Todos os restantes, nunca os vi como uma coisa para o futuro, assim, quando acabou foi só uma confirmação do que já previa.
Mas já assisti a muitas. De amigas, primas, tias e conhecidas. Muitas mulheres fortes e capazes mas que na altura das rupturas se transformam em seres menores e frágeis.

Lembro-me de duas rupturas que me ficaram marcadas na alma. Duas tias que foram muito maltratadas, uma até fisicamente. Que nunca tiveram a coragem de dizer chega e quando os seus maridos o fizeram, a vida parou para elas. 
E só quando iniciaram novas relações, muito rapidamente, foram felizes.
Compreendo que muitas pessoas só são felizes em relações, são feitas para estar com alguém.
Se isso já me preocupa, o que me aflige mesmo é a messagem que passa.

Não acredito que temos de ser exemplos para o mundo. Nem todos temos essa exigência, felizmente. No entanto, há sempre pessoas que são influenciadas por nós. 
Filhas, sobrinhas e amigas.
E se lhes damos o exemplo que sozinhas não somos suficiente, estamos a proliferar a dependência intrínseca que ligam ao género feminino.

Nós, mulheres, que desejamos e lutamos há séculos por igualdade e direitos, temos de começar a acreditar e a espalhar essa crença.
Uma mulher, sozinha ou acompanhada, é suficiente por ela própria. Não precisa de ninguém para ser alguma coisa.
É forte, capaz e determinada. Inteligente, bonita e lutadora. Somos tudo o que precisamos. 

Somos suficientes.
E temos de uma vez começar a espalhar esta mensagem para que as futuras gerações percebam que não precisam de estar ligadas a ninguém para serem mais e melhores. 

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Os clássicos que eu não gosto

Na moda e beleza há clássicos intemporais. Artigos que, por mais anos que passem, estão sempre na moda e amados pela maioria das pessoas.
Mas há clássicos, por mais clássicos que sejam, simplesmente não consigo gostar.

Sapatos Mary Jane
Tornados populares devido a uma de Buster Brown, Mary Jane precisamente, foram uma peça it a partir dos anos 60. A sua principal característica é a tira horizontal que atravessa o peito do pé. 
Detesto. Não me lembro de algum dia ter um sapato deste género e acho-os realmente muito infantis e nada apelativos. 

Chanel Nº5
Criado em 1921 por Gabrielle Chanel é um clássico no mundo da perfumaria. Acho que não há ninguém que não conheça uma senhora que o use e é esse o problema. É um cheiro de senhora mais velha, Não é um cheiro apetecível para uma mulher mais jovem. Felizmente a Chanel recentemente lançou o L'Eau, mais fresco e bem mais usável.

Salto cunha
Detesto mesmo este tipo de salto, aliás, sou capaz de dizer que é o único salto que tenho dificuldade em usar. Se consigo encarar um salto de 12cm como encaro uns ténis, o salto cunha é um pequeno pesadelo e estão completamente ausentes do meu armário. Não gosto de ver no pé, não gosto da falta de estabilidade que conferem e não gosto do seu aspecto. Não, não, não.

Cintos Monograma
Se há coisa que eu detesto na moda é a apresentação excessiva dos monogramas das marcas. Não creio que há necessidade de tornar os clientes em painéis de promoção. Boas peças fazem publicidade por si só. Este tipo de cintos, assim como as bolsas ou óculos de sol, são os artigos que mais monogramas carregam. E se há peças que não causam horror, como as bolsas com o tecido monogramado que passam até despercebidas, um cinto com o nome da marca ou o monograma não é mais que publicidade. 
Dr Martens
As botas da marca inglesa são outro clássico que atravessa gerações. 
São muito confortáveis, é verdade. Mas são muito feias. Acho que este tipo de bota além de conferir um aspecto gruge que eu gosto muito, não são bonitas, não são apelativas e são demasiado "brutas" para o meu gosto. 

Modelo Alma
A bolsa da Louis Vuitton é apenas representativa. O modelo em si, um clássico que muitas marcas produziram, esse sim é o foco do meu desagrado. Não gosto do modelo. Acho-o grosseiro e muito pouco apelativo para um look. 

J'Adore
Conheço imensas mulheres que o usam. É outro clássico da perfumaria. Eu detesto. 
Lançado em 1999 é um dos mais vendidos perfumes da Dior. Pessoalmente não sou fã do seu cheiro floral frutado.

Relógios Desportivos
Não gosto de relógios no geral mas este modelo de relógios ainda gosto menos. Não ficam bonitos no pulso e na grande maioria, têm um design muito feio. 


Quero deixar claro que isto é a minha opinião. Não estou a apontar dedos nem a menosprezar quem gosta. Eu própria gosto de imensas coisas que a maioria acha horrível. Temos de viver bem com isso.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

#GiveElsaAGirlfriend

A internet é um local onde todos temos voz e onde campanhas se fazem muito rápido. 
Nos últimos meses uma delas é o pedido de milhares para a Disney criar uma namorada para a princesa Elsa, no próximo filme Frozen.
Para os entusiastas desta campanha, Elsa, que já quebrou algumas barreiras, será o melhor modelo para introduzir as crianças ao universo LGBT.

A verdade é que não há de facto uma personagem da Disney que seja assumidamente homossexual e também eu acho importante a criação de uma figura representativa.
Se acho que deva ser a Elsa? Não, não acho.

Porquê? Porque vamos mais uma vez cair num cliché.

Desde sempre gostei de filmes da Disney e mesmo depois das análises mais sérias feitas às suas histórias e personagem, continuo a achar um mundo encantado necessário. 
Ao contrário de muitas meninas, a minha princesa favorita não é a que mais se assemelha à minha imagem mas sim a mais livre na minha opinião. Jasmin
Já era rica antes do príncipe e casou com alguém de uma classe social inferior.

No entanto, quando surgiu o Frozen, além de não conseguir ouvir mais nenhuma repetição do "Let it go", achei a personagem da Elsa inspiradora.
Ali estava uma mulher forte, determinada e poderosa. Que não precisou de um homem, ou um príncipe neste caso, para atingir a felicidade. Go Disney.
Ora agora, se pegarmos nesta imagem já construída da Elsa e a tornarmos homossexual vamos passar, mais uma vez, a imagem de que uma mulher poderosa e inteligente tem de ser lésbica. 
Mulheres heterossexuais serão sempre mais frágeis.

Trocarmos um estereótipo por outro não é uma boa opção e não será nunca. 
Se, eventualmente, no futuro Fronzen 2 a personagem principal for homossexual é realmente um avanço, mas pode ser também um retrocesso. 

Na minha opinião. 


quinta-feira, 10 de novembro de 2016

A realidade nem sempre é bonita.

Falei mais de politica nas ultimas 24h do que nos últimos três meses. Afinal sou formada nisso, tenho amigos formados nisso e a actualidade politica é propensa às mais diversas teorias e análises.
Mas o que quero falar hoje não é da politica propriamente, das implicações que podem, e vão surgir desta vitória de Donald Trump.

Como é lógico, muitas das barbaridades que o senhor foi dizendo durante a campanha são impraticáveis. Não vai haver muro, não vai bloquear a China, não vai haver guerras nucleares.
Mas vai haver desgraça e um retrocesso civilizacional. Disso tenho certeza.

A questão fulcral para mim é esta, como em oito anos, passamos da eleição de Barack Obama para a eleição de Donald Trump? 
Barack Obama representa um mundo melhor. Mais justo, mais nobre, como mais e semelhantes oportunidades para todos.
Donald Trump significa o oposto. Representa a misoginia branca. Representa os valores que durante gerações lutamos para vencer. Representa o ódio e a ignorância que veste um manto de milhões de dólares. Representa tudo o que queria acreditar que marchávamos para vencer. 

Começando por uma adversária fraca, contudo indubitavelmente melhor, mas não representativa. Uma adversária com um discurso bem construído e bem preparado, mas que não chega a todos.
Uma adversária que não conseguiu chegar a uma grande fatia da população que Donald conseguiu chegar muito facilmente. Os milhões de pessoas que afectadas pela ressecção de 2008, perderam capital e posição e encontram nos diferentes o bode expiatório que necessitam. 
Na minha opinião isto foi o que decidiu no final.

O poder e o dinheiro mudam o mundo. Compram ideias e ideáis e mudam mentalidades.
Ao assegurar uma recuperação económica e uma manifesta intenção de erradicar pesos mortos da sociedade, mesmo que não o sejam na realidade, Donald Trump chegou onde queria chegar. Ao bolso dos americanos, onde se decide o voto.

A minha preocupação real não é tanto o que aconteceu ontem, por horrível que seja, mas o que pode acontecer. 
No próximo ano algumas das mais poderosas nações da Europa vão a votos e estes resultados podem voltar a acontecer. Abalada por uma crise de dimensões catastróficas, a Europa pode repetir resultados grotescos e mais uma vez, o caminho do mundo ser entregue a pessoas que no fundo não nos representam mas que no momento certo disseram o que queríamos ouvir.

É assustador. É assombroso mas pode acontecer.

Quanto a Trump, bem há muito a dizer. Mas para mim o essencial é alertar todos aqueles que por ele foram atacados e humilhados durante toda a campanha, e a sua vazia vida, que se unam e continuem a lutar. Hoje mais do que nunca. 
Por o mundo é e será sempre, um reflexo daquilo que somos.


sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Ser, mesmo quando não somos.

Sou, por definição, uma pessoa sincera. Já muitas vezes, essa mesma sinceridade, me colocou em situações complicadas e em atritos desnecessários se a sociedade não lidasse tão mal com a verdade. 
Não sou, portanto, uma pessoa fingida. Não tento criar uma imagem, não invento cenários e apregoo verdades que não defendo.
Mas já fingi muito nesta vida. 

Todos nós temos medos. Os mais diversos e complexos. Todos nós temos os nossos fantasmas e como a verdade, a sociedade também não lida bem com fraquezas. 
Num momento da tua vida serás confrontado com elas e alguém, em algum lugar, vai tentar tirar vantagem dessas fraquezas. E é aí mesmo que aprendi a fingir. Não para enganar ninguém, uma vez que este fingimento não magoa, mas proteger-me.

Não sou uma pessoa extrovertida. Tenho um grande sentido de humor, mas guardo-o para mim ou para quem me transmite muita confiança. Tenho medo de conhecer pessoas novas. 
Por esta razão sempre me apelidaram de arrogante. Porque não soltava sorrisos pelo mundo. 
Durante os meus anos de adolescente foi complicado, todos diziam que eu tinha "a mania". Não era, era simplesmente uma incapacidade minha. 
Se ganhasse €1 por cada vez que ouvi a frase "não és nada do que pensava de ti", já tinha viajado para umas férias de luxo na praia. 

Então quando cresci e aprendi a fingir. Fingir que não tenho medo de conhecer pessoas novas. Fingir que sou mais afável e não estabelecer à partida uma péssima ideia da pessoa que sou.
Se muda o que sou? Jamais. Porque eu sou efectivamente uma pessoa simpática e afável. Simplesmente não o conseguia transmitir numa fase inicial.

Este tipo de fingimento serve para algumas situações. Uma que sempre aconselhei aos meus amigos nos tempos da faculdade, na época das apresentações orais era fingirem confiança mesmo que por dentro estivessem a desmoronar. 
Sempre tive muita facilidade em falar e argumentar em público, mas é um dos grandes obstáculos que muitos atravessam. Fingir confiança resulta na confiança em si. Torna-se uma boa ferramenta para lidar com a ansiedade.

Fingir nem sempre é mau. 
Fingir algo para enganar, magoar ou trapacear alguém, esse é o lado mau do fingimento. 
Mas nós somos levados a fingir desde muito novos, estimula a criatividade.
Em adultos, não temos tanto tempo para parar e fingir as coisas maravilhosas que fingíamos em crianças, mas pode ser uma arma poderosa para ultrapassar obstáculos. 

Num mundo competitivo e muitas vezes implacável, é importante não dar todas as fraquezas de animo leve. Nunca sabemos quem está do lado de lá.


quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Ora venham daí ideias! #1

Minhas lindas, preciso de ajuda.
Quero sugestões de séries muito boas para começar a ver. Não há limites de género ou duração. Quero séries boas, daquelas que nos prendem ao sofá durante dias.

A assinalar que as mais conhecidas, geralmente já vi.
Venham daí ideias!
Obrigada

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Pelo bom nome.

A casualidade com que, algumas pessoas usam palavrões, é algo que me fascina.
Sou sincera, eu uso alguns em algumas situações, sem peso na consciência.
A minha família materna é do Norte e todos sabemos como se usa cordialmente e até com alguma classe palavrões.
Sendo que muitas vezes não são usados sequer para ofender, acho que podem ser usados como uma descarga de adrenalina que nos alivia imenso. 

Agora o que eu não tolero mesmo são as pessoas que chamam nomes a filhos, maridos, país e por aí fora.
Expressões como "este cabrãozito" "esta putinha" este merdas", tiram-me do sério. 
Talvez por ser educada numa família onde isto jamais aconteceu, onde temos uma liberdade e confiança tão grande como o respeito um pelos outros, presenciar este tipo de manifestação é algo que me deixa perplexa.  

Já ouvi uma mãe chamar cabra à filha de 11 anos como se lhe tivesse a chamar princesa. Já ouvi uma irmã a referir-se ao irmão como cabrão, como se fosse o termo mais terno do mundo. 
A minha pergunta é, ninguém percebe que por muita banalidade que se use, termos pejorativo são sempre, sempre encarados como algo desagradável e marcante.

Acho que não se trata apenas de uma questão de educação, ou falta dela, mas sim do banalizar das palavras, que pode ser uma coisa boa.
Banalizar palavras pode tirar-lhes o seu poder, no entanto, no caso dos palavrões isso não acontece. Apenas aplicamos uma palavra, que mesmo descontextualizada, vais exercer, de alguma maneira, uma péssima energia na relação.

Melhor mesmo referirmo-nos pelos nomes que os nossos pais tão orgulhosamente escolheram. 

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Filme da semana, Me Before You


Acho que não é novidade para ninguém que gosto de cinema. Gosto de quase tudo, grandes sucessos de bilheteira, independentes, americanos ou suecos. Gosto no geral. 
E também não é novidade que a minha grande paixão é a leitura. Também neste campo não sou esquisita.

Assim, quando há cerca de três anos este livro me caiu nas mãos foi amor certo.
Podem ler aqui o que escrevi sobre ele ainda o ano passado.

Ora, a espera pelo filme foi angustiante. Queria muito ver como conseguiriam transmitir tudo o que o livro foi capaz de fazer para um filme. Não conseguiram, na minha opinião.

Vamos por partes e comecemos pela parte boa, Emilia Clarke
É uma das actrizes mais badaladas devido à sua participação em GoT, mas no papel da Lou foi soberba. Amorosa, expressiva e radiante. Tal e qual imaginei a Lou quando a li. 
O casting acertou em cheio nesta escolha.

Pelo contrário, a personagem de Will deixou muito a desejar. Não sou uma grande fã de Sam Claflin, assim de repente lembro-me dele apenas no Hunger Games. Mas a questão é que não senti nenhuma empatia com a personagem do filme, ao contrário do que foi acontecendo no livro.
Se no livro, Will nos é apresentado como um homem intratável, ao longo da obra somos ensinados a gostar dele. No filme não aconteceu, pelo menos comigo. 

Se me comovi? Claro, mas por me lembrar do livro e não pelo filme que estava a ver.
Normalmente isto acontece, gosto sempre mais da obra escrita, mas a verdade é que estava à espera de mais. Não só pela personagem de Will mas também pela forma apressada com que a história é desenrolada. 

Na dúvida, o livro é sempre a melhor opção. 

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Filme da Semana, Suicide Squad



muitas vezes comentei que gosto imenso de filmes de super heróis.
Este, particularmente, estimulou a minha curiosidade por que os heróis eram, neste caso, anti-heróis.
Com uma maquina de marketing ímpar e a expectativa de milhões de fãs, era um dos filmes mais aguardados do ano.
Não alcançou as expectativas.

A historia tem um mote interessante, personagens engraçadas e com alguma profundidade, no entanto, está tudo muito mal aproveitado. Para não falar que os maus da fita são do mais ridículo que há.
A grande expectativa do filme era sem dúvida a personagem do Joker, uma das maiores desilusões na minha opinião. Gosto muito do Jared Leto, mas este Joker fica muito aquém de outras performances conhecidas. É louco sim, perigoso, sim, mas parece que nada bate certo naquela personagem e é tudo muito forçado.
A par disto temos um Will Smith igual a todas as suas restantes personagens, nada de novo, temos personagens apenas para encher minutos do filme.

A parte boa é que também há excelente momentos no filme.
Uma Harley Quinn maravilhosa. Muito estereotipada, à boa maneira da BD, mas muito engraçada e intensa
Viola Davis no seu melhor. Também muito parecida com as suas personagens mais conhecidas mas sempre em bom.

No geral é um filme que entretém mas não convence.  


Adenda: Por motivos técnicos (ainda não acabei de os compor), os looks da semana vão sair mais tarde.




terça-feira, 2 de agosto de 2016

A ditadura do bronze

Estou no Algarve, na praia de sempre e sou, possivelmente, a pessoa mais branca nos próximos 10 metros. 

Quando era miúda passava a vida na praia. Desde Maio a Outubro, a maior parte do meu tempo era passada à beira mar. Consequentemente, ao voltar à escola, era das pessoas mais bronzeada.
Fui crescendo e o tempo que passo na praia foi diminuindo. Assim como a minha capacidade de prolongar o bronze.
Hoje em dia, a minha cor branca permanece a grande maioria do tempo, mesmo continuando a fazer praia com alguma regularidade. 

Eu sou branca, muito branca. Para terem uma noção, a comprar bases, normalmente a minha é a primeira ou segunda cor. Com o cabelo loiro, a minha imagem torna-se clara, num todo. Mas eu não me importo. Acostumei-me com a minha cor, e se por vezes gostava de ter uns tons mais escuros, na maioria dos dias estou bem contente com o meu tom de pele.

Mas o mundo não pensa assim. Por cá, a quantidade de vezes que falam do meu tom, essencialmente no Verão é para lá de ridícula. 
"Precisas apanhar sol!" "Estás doente? Estás pálida!" "Tão branquinha que tu és!" E por aí fora. 
Então quando saiu acompanhada pelo meu pai, que fica super escuro no Verão, os comentários são ainda piores. 
Normalmente não comentam quando estou com o E, creio que acham que o comentário pode ser mal interpretado pela questão racial, mas acompanhada por pessoas de pele mais clara, os comentários são vários.
E aí, eu pergunto, porque incomoda tanta gente o facto do meu tom de pele ser claro? 
Para andar de saia tenho de ter as penas super bronzeadas senão é feio?
E para andar na praia, sítio onde nos bronzeamos, preciso ter bronze prévio para não insultar ninguém? 

Ora façam-me um favor. 
Este tipo de cobranças sociais são tão ridículas como as pessoas que as perpetuam. 
Não percebo como continuamos a condenar e questionar as pessoas por características inerentes a elas. Não percebo como continuamos presos nos mesmos pilares que nos tornam uma sociedade tão cínica. 

Por mim, cá vou continuar ao sol, a chocar o mundo com a minha brancura. 

sexta-feira, 29 de julho de 2016

A demonização das celebridades.

Nunca me incomodou muito o que as pessoas fazem com a sua vida se isso não interfere com a minha de uma forma negativa. 
Acho mesmo que cada um é livre de viver como bem entende sem ser sujeito ao escrutínio alheio. 
Todos, menos as celebridades. 

Não, não são aquelas pessoas que são reconhecidas pelo trabalho que realizam em alguma área, mas sim as pessoas que são conhecidas apenas porque são conhecidas.
Temos imensas no nosso país, mas a nível mundial o exemplo máximo são, obviamente, as Kardashians
E hoje eu venho fazer uma coisa muito estranha, defender estas pessoas, ou algumas delas vá.

Na quarta à noite dei por mim a assistir ao programa Passadeira Vermelha, que mais não é do que uma conversa de café num estúdio de televisão. Por mim tudo bem, há que proporcionar entretenimento a todos. O que me impressionou foi a forma quase arrogante que os assuntos são comentados.
Ora três comentadores, no alto da sua sabedoria, criticam, menosprezam e desdizem as mais variadas pessoas. Personalidades reconhecidas e celebridades, vão a todos. 
O que me incomodou mesmo foi a forma provinciana que abordam os assuntos.

Se admiro o estilo de vida da Kim Kardashian? Não. Se queria ser alguma daquelas mulheres K? Também não. Se acho que são bem sucedidas? Imenso!

Ora bem. Um vídeo porno caseiro foi parar à internet. Acontece todos os dias, a milhares de pessoas. Começar daí uma fortuna de milhões que se estende a toda a família? Aconteceu às Kardashians
Gostando ou não, elas ou quem as acompanhou, foram inteligentes ao ponto de lucrar com a situação e criar um império. E a partir daí estenderam os seus tentáculos aos mais distintos ramos.
Hoje são das pessoas mais seguidas do mundo, verdadeiras formadoras de opinião.
Se "comentadores especializados" não conseguem entender a importância destas questões nos dias que correm, ora. não estão a prestar a atenção devida. 

Há 50 anos as mulheres idolatravam a Marilyn Monroe, hoje a Kim Kardashian, mudou assim tanto? 

Aceito que as pessoas que se expõem sejam facilmente criticadas o que não aceito é que as ridicularizem quando, num campo que elas entenderam ser o seu, são extremamente bem sucedidas.
Vivemos num mundo novo, com novos "heróis". 
Se não se percebe também não se deve criticar, pelo menos, não levianamente. 

quinta-feira, 21 de julho de 2016

O histerismo e o preconceito

A minha formação académica aprimorou a minha perspectiva sobre a sociedade. Tornei-me uma pessoa mais tolerante. Se durante toda a vida tentei afastar-me de preconceitos, mantendo sempre alguns como é normal, a sociologia mostrou-me como é importante termos uma mente aberta para todos os comportamentos humanos.

A par disto, da minha tolerância adquirida, tenho uma característica intrínseca difícil de ultrapassar. Não suporto o preconceito associado ao histerismo.
O que quero dizer com isto? Detesto pessoas que espalham o seu preconceito como algo certo de uma forma autoritária e algo histérica, como uma verdade absoluta.

Vamos a exemplos. Nas últimas semanas o Pokémon Go tornou-se viral. Pequenos e grandes, jogam e divertem-se a apanhar bichinhos virtuais. Se é algo que vai melhorar o mundo? Não, não é. Mas vai fazer mal? Também acredito que não.
É um jogo, joga quem quer e pouco mais há a dizer. (Sim, há questões sociologicas que podem ser abordadas em relação a isto mas não é o que quero abordar.)
Agora a minha grande questão é, qual o problema de algumas pessoas que destilam ódio, preconceito e snobismo relativamente a quem joga? 
O que move estas pessoas a catalogarem uma imensidão de diferentes pessoas, com diferentes características, unidas apenas por um certo jogo? 
E quem diz este jogo diz pessoas que usam imagens de bandeiras no facebook, pessoas que tiram selfies, pessoas que ouvem Justin Bieber ou Tony Carreira ou que leem livros água com açúcar. 

Não consigo perceber esta falta de tolerância em relação ao outro e aos seus gostos. Este histerismo assoberbado do "eu sou melhor que tu".  Esta forma triste de nos relacionarmos.

Este é mesmo o grande problema que identifico na nossa sociedade actual, a falta de empatia que nos leva a marginalizar uma brutal parte a sociedade que não se enquadra nos nossos preconceitos. A nossa falta de aceitação às diferenças entre iguais e a necessidade de nos sobrepormos aos outros.


Por meu lado, eu leio poetas russos como leio histórias do tio Patinhas. Aprecio Monet assim como Andy Warhol. Gosto de filmes europeus assim como as loucas obras de pancadaria do cinema americano. Ouço Bach como ouço Beyoncé. 
Isso torna-me foleira e inculta? Não meus caros, tona-me completa. 

Gostava mesmo que a tolerância se torna-se uma tendência. Seriamos tão mais felizes e leves. 

sexta-feira, 1 de julho de 2016

O respeito pelas nossas crianças

Se há uma coisa neste mundo que me irrita para lá de tudo é a forma como alguns pais, mais do que eu gostaria, tratam as suas crianças sem o mínimo de respeito. 
É verdade, eu não sou mãe, mas isso não me faz incapaz de analisar certos comportamentos e ter opiniões sobre eles.

Há uma tendência para que os pais apenas considerem os seus filhos como pessoas quando estes crescem. Durante a infância e adolescência, muitas crianças não passam de peões para as vontades dos pais.
Há comportamentos, por vezes pequenos, que reflectem esta falta de respeito pela pessoa que o filho é, estrangulando as suas vontades básicas. Vamos a alguns exemplos:

-Beijar a boca da criança. Sim são beijos castos e sem malícia, mas não deixam de ser, na minha opinião, uma falta de respeito pela individualidade. Podem alegar que o beijo nos lábios é igual a qualquer outra parte do corpo, mas não é. Já vi pais e mães a beijarem a boca dos seus bebés depois de fumarem ou beberem álcool. Já vi até uma mãe com herpes a fazê-lo. 
A boca de um bebé/criança, é um local de descoberta é verdade, mas cabe ao pais, figuras de segurança, ressalvar a higiene do local de exploração do bebé e não serem os agentes de contaminação. Acho uma pura falta de higiene e respeito. 

-Beijar o mundo. Continuando na temática dos beijos há outra coisa que me enfurece e esta porque sofri com ela na pele. A obrigação de fazer as crianças cumprimentar toda a gente com beijos. Sim, a família próxima é diferente, mas nem sempre é essa a exigência. Os meus pais não o faziam, mas sempre que saia com a minha avó era um tormento, simplesmente porque ela queria que eu cumprimentasse toda a gente que encontrasse. 
Já falei da minha doença e como isso me leva a evitar tocar no maior numero de pessoas possível e sei o sofrimento que era para evitar ser mal educada. Assim, é necessário conhecer a criança, porque não é necessário ter Poc, simplesmente há imensas pessoas que não gostam de tocar nos outros. 

-A obrigação na hora das refeições. Começo por um ponto, acho que cada criança deve ser desde bebé habituada a uma alimentação saudável e variada. E acredito que se os habituarmos a ela, não vai haver birra na hora de comer (tirando uma vez ou outra). Agora, dar um prato repleto de verduras a uma criança enquanto os pais comem bifes e batatas fritas é simplesmente a receita para a desgraça. As crianças evoluem através do exemplo, logo na hora da refeição vão simplesmente replicar o que já viram fazer. Vão gostar do que vêem os pais gostar. 
E ralhar, gritar e humilhar a criança nesta hora vai ainda pior a situação. 

-Não respeitar os horários dos filhos. A vida muda quando temos filhos por isso é que ainda não os tive. Acho que ainda sou egoísta demais com o meu tempo. Quando tiver um filho não quero sentir o mínimo ressentimento por ter de deixar muitas das minhas coisas para segundo plano em função de um humaninho. Vão ser saídas, visitas a certos locais e a certas horas que simplesmente não vou fazer e quero que seja tudo bem naquele momento. Umas das coias que mais me custa é ver crianças de colo à 1h e 2h da manhã na rua, apenas porque os pais querem sair. Sim, uma vez pode acontecer a qualquer um, mas fazer disso um hábito é realmente desrespeitoso para a criança. 

-Não respeitar a personalidade dos filhos. O mais importante. Uma criança não é uma extensão dos pais, logo tem gostos e motivações próprias, que é necessário respeitar. Lembro-me tão bem quando comecei a vestir-me sozinha. Durante uns dias simplesmente não quis vestir a roupa que a minha mãe preparava e recusava-me a vestir. Ela, no alto da sua sapiência, disse-me para escolher a minha roupa. E assim foi. Claro que me indicava o tipo de roupa e muitas vezes me enganava para vestir o que ela tinha escolhido, mas além da satisfação de eu escolher o que vestir naquele dia, dava-me uma sensação de liberdade que sempre gostei. Imagino que alguns dias tenha escolhido looks muito peculiares mas era feliz e isso é o mais importante. E hoje, lembro com carinho e admiração este acto da minha mãe, de respeitar a minha decisão, mesmo que com limites. Vá, eu só tinha cinco anos. 

Como referi inicialmente, eu não tenho filhos. Mas acredito que estes meus ideais não vão mudar quando os tiver porque realmente acredito neles. 
Acredito que ao respeitarmos a criança desde o momento que nasce vamos estar a criar pessoas melhores, mais tolerantes e bem formadas para o futuro.

E por aí, o que acham? 

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Favoritos de Junho


1 - Gosto mesmo muito de chá, quente, frio e morno. Mas achei sempre dificílimo encontrar uma opção pronta, sem muitos adicionais que fosse realmente boa. Até que apareceu a Pure Leaf. É uma marca nova em Portugal e já conquistou o meu coração. Maravilhosos.

2 - (Spoiler Alert)
Para quem já viu o último episódio da sexta temporada a única pergunta que quero fazer é, o que foi aquilo? Se pudesse apagava a minha memória para puder sentir tudo de novo. Tão, mas tão bom.
A banda sonora que é uma obra de arte, o fato da Cersei, a morte em debandada, a Arya, os gritos para o White Wolf, a descoberta mais aguardada, a frota assustadora, o olhar do Jamie. Tudo foi tão bom. Tão bem feito. 
Fiquei acordada para ver em directo e posso dizer que me custou imenso a adormecer depois disto.

3 - Chega o Verão e lembramo-nos que temos de usar protector, algo que devíamos usar todos os dias, todo o ano. Este Vichy Capital Soleil é, para mim, o melhor. Uma textura e cheiro que nos permitem usar sem medo de oleosidade e o típico cheiro a praia.

4 - Sou muito esquisita a escolher amaciador de roupa. Não gosto que a roupa fique com um cheiro que não me agrada, mas sou viciada na maciez que um bom amaciador proporciona. Assim, quando compre esta novidade da Quanto, não esperava que se fosse tornar o meu amaciador favorito de todos os tempos. Tem um cheiro incrível, que perdura na roupa mas sem se tornar um incomodo e a roupa fica tão macia, durante todo o dia. Adoro mesmo.

5 - Se há alguma coisa que festeja com a chegada do bom tempo são os meus pés. Basta chegar o calor e é difícil andar com algo que me tape os pés. No dia-a-dia, quando não tenho nenhum compromisso, o meu calçado são havaianas, sempre. Tenho mais pares do que devia, de muitas cores, mas uso-os até à exaustão. Não só para ir para a praia, mas para ir às compras para a casa, um leve caminhada ou ir aos correios. Ninguém me tira as havaianas dos pés. Os melhores chinelos do mundo. 


quarta-feira, 1 de junho de 2016

Feliz Dia das crianças

Os meus pais foram crianças à pressa, devido ao caminho que cada um teve de percorrer, tiveram pouco tempo para ser crianças, mas ainda foram. 
Antes deles, os meus avós, foram daquela geração onde a maioria dos homens nunca foram meninos. 
Eu nasci num período fácil, onde tudo nos caiu nas mãos, onde aparentemente era fácil ser criança. Mas visto bem, não era. 
A minha geração foi a primeira a carregar o impacto tecnológico bem cedo, a misturar aquilo que era brincadeira com vício. Mas foi aí que os meus antecessores diretos tiveram um papel fundamental para que a minha infância tenha sido maravilhosa. 
Fui criança a valer. 
Andei descalça, corri e sujei-me, rachei a cabeça, fiz teatros e trepei tantas árvores. Por viver perto do mar, nadei e mergulhei, sujei-me com o lodo da minha ria e apanhei caranguejos. Roubei flores às vizinhas para fazer arranjos e durantes tardes infinitas joguei na rua ao ringue com os meus vizinhos. Dancei com a minha saia de cigana e alimentei os borrachos do meu avô. Destruí a casa dos meus avós com os meus companheiros de crime e fiz bolos de areia. 
É verdade que também vi muitos desenhos animados, tive telemóvel e computador cedo. Mas fui uma menina que viveu a infância em pleno e com apenas 26 anos tenho saudades de ser criança. Hoje ainda carrego muitos dos hábitos de quando era apenas a “carochinha” e por isso acho tão pertinente este dia. 
Para nos lembrarmos que não é apenas o dia de dar as prendas aos meninos, que também fazem parte, mas é sim o dia de levar os miúdos para se sujarem e correrem e respirarem, não dar raspanetes porque não se comportam como adultos e deixa-los apenas ser aquilo que são, crianças. 
E lembra-los, que tantos meninos espalhados pelo mundo nunca puderam passar por aquele que é o período mais fantástico da vida humana.

Sejam crianças.
Bom dia a todos!