Desde criança, sempre fui decidida e focada. Sabia o que queria, quando queria e como queria. E ia lá e fazia.
Sempre fui muito convicta dos meus ideais e sempre os defendi com argumentos válidos.
Sempre soube o que queria ser no mundo. Até que chegou o dia que deixei de saber.
Acho que todos, quando mais novos, construímos uma imagem daquilo que vamos ser. A minha foi construída a partir daquilo que eu acreditava que fazia a diferença. Eu queria ser "poderosa" para poder ajudar mas também por um regozijo pessoal. Queria ser a senhora durona. Porque acreditava que era assim que as mulheres tinham de ser para serem vistas longe do papel mãe/dona de casa.
Quando cresci, tudo mudou. Porque, não só percebi que o "poder" é superestimado, mas também percebi que a verdadeira realização vem do que nos faz feliz e não do combater incessante da sociedade.
Eu não nasci para ser dona de casa. É um facto e não há como negar. Mas ao contrário do que sempre sonhei, hoje acredito que nasci para ser mãe.
Sempre quis ter um trabalho de relevo, reconhecido. Hoje acredito que o verdadeiro bem que quero fazer é melhor feito dos bastidores.
Sempre sonhei ter um trabalho muito bem remunerado e só isso me iria ajudar a ser verdadeiramente feliz. Hoje sei que o dinheiro é apenas uma parte muito pequena da felicidade. Que podemos ser realizadas e felizes com pouco.
Hoje sei que os sonhos mudam ao mesmo tempo que crescemos. E ainda bem.


