O feminismo está na moda. Hoje, meninas de 14/15 anos afirmam-se como feministas e nada me deixa mais feliz e esperançosa. Mas há sempre o reverso, a verdade escondia.
Na semana passada saíram estudos da Universidade de Coimbra que concluem que a violência no namoro está a aumentar em Portugal.
É verdade que isto acontece porque a legislação mudou à pouco tempo e hoje são contabilizadas queixas que anteriormente não faziam parte da estatística, mas o que é certo é que as mesmas meninas que se afirmam feministas continuam a apanhar, este é o termo, dos namorados homens, que continuam a ser os maiores agressores.
E porque é que isto acontece? Simples, porque continuamos a evoluir como uma sociedade patriarcal, completamente misógina, onde somos ainda o sexo fraco.
Não há, nem neste país nem em nenhum que eu conheça, um esforço sério das entidades competentes e com poder fazerem alguma coisa para mudar a realidade.
Porque a violência esta intimamente ligada à subjugação moral das mulheres. Porque esta sociedade à qual nós pertencemos faz-nos acreditar que o nosso papel está há muito moldado e nós, mulheres temos de nos adaptar ao molde qualquer que seja a nossa forma.
E o mais perigoso de tudo, é que nós, mulheres, somos usadas como agentes de limitação, umas relativamente às outras.
Não acho de todo que as mulheres são um ser mais especial que o homem. Acho que somos iguais. Com particularidades, mas igualmente necessitados de respeito, amor e compreensão.
Logo, essa grande treta de ser feminista é inferiorizar homens está, na premissa, errada.
Também não acho que somos todas dádivas da natureza. Há mulheres que são apenas maus seres humanos.
E também não sou daquelas que anda com um cartaz a dizer-se feminista O que eu faço é pô-lo na prática.
É levantar a minha voz para defender alguma mulher mesmo que não goste dela. É ensinar aos pequenos seres que me rodeiam que meninos e meninas são iguais. É impor-me quando alguém mais reticente aos meus princípios me tenta subjugar. É não chamar cabra e puta a uma mulher só porque sim. É não julgar uma mulher apenas pelo que veste.
E isto é difícil. É difícil porque desde que nasci a sociedade me ensinou o contrário.
E a sociedade ensinou-me também que, posso não admitir levar uma chapada, mas sair de casa com a uma roupa que o meu marido não gosta é proibido. Ou que impor a minha opinião, contrária à do meu namorado, vai fazer com os demais o diminuam como homem, logo não o posso fazer.
Portanto, a violência e o feminismo estão ligados. Ligados por laços de agressão e medo, que faz com que nós mulheres, continuemos a não ter força para dizer basta.
E a solução nem é assim tão difícil. Basta entendermos uma vez por todas que, a partir do momento que dizemos frases como "ela até mereceu" ou "não tenho nada a ver com o assunto", estamos um passo mais próximas de nos tornarmos o inimigo. Aquele que nos cala, bate e assusta. E por vezes não é o homem, somos nós mesmas.
Sejam feministas, mas sejam-no de verdade.
(Desabafo depois de escutar na mesma conversa, a mesma pessoa, a auto proclamar-se feminista e na frase a seguir dizer que uma amiga que levou uma tareia do namorado mereceu porque foi vestida à puta (seja lá o que isso for) a uma festa)