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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Lutas da POC #5

Para um doente com POC, ter visitas em casa é um pesadelo. Sério, mal tomo conhecimento que vou ter pessoas estranhas à minha rotina durante alguns dias em minha casa, a minha ansiedade sobe a níveis astronómicos.

Não quero parecer mesquinha. Claro que só ficam na minha casa pessoas de que eu gosto e me são próximas, mesmo assim, não dá para relaxar.
Eu tenho uma rotina que me relaxa e é necessária para o meu bom funcionamento. Com pessoas em casa essa rotina é afectada, naturalmente. 
Tirando o meu namorado, que vive comigo e sabe como eu funciono e os meus pais, que me conhecem melhor que ninguém e como o E até me ajudam nesta rotina, as restantes pessoas desconhecem a importância que pequenas acções têm no controlo da minha ansiedade.
Vou vos dar alguns exemplos:

- Arrumar a sala antes de ir para a cama. 
Todos os dias, antes de me deitar, arrumo a sala. Isto consiste em posicionar os objectos no seu lugar correcto, amaciar e posicionar as almofadas no sofá, dobrar a manta e coloca-la o seu lugar, arrumar o tapete, tirar qualquer objecto que não seja deste ambiente. Eu faço isto TODOS OS DIAS. Ora, com pessoas em casa, que muitas vezes ficam na sala depois de eu ir para a cama, é-me impossível fazer isto. Assim, mal acordo a ansiedade domina-me. 
É importante para mim sentar-me no sofá a tomar o meu chá depois do pequeno-almoço e que o ambiente esteja confortável. Não sendo possível torná-lo como gosto na noite anterior, de manhã quando acordo tenho de arrumar tudo e a minha rotina fica logo alterada.

- Limpeza na cozinha.
Eu tenho sistemas de limpeza. Sobretudo com a loiça. Eu lavo tudo muito bem.
Mas há pessoas que pensam que beber um copo de água e passar por água depois o deixa lavado. Pois meus amigos, não deixa. Então é ver-me a lavar loiça que supostamente está lavada, apenas para ficar relaxada.

 - Organização do frigorífico.
Eu gosto do meu frigorífico organizado. Sou daquelas pessoas que chegam das compras e corta todas as frutas, coloca-as em taças todas organizadas. 
Tenho as minhas garrafinhas alinhadas e os pequenos pacotes de iogurtes maravilhosamente compostos. 
Com pessoas em casa todo o ambiente refrigerado é alterado assim como a minha neura. 

São apenas alguns exemplos que me transtornam e me deixa literalmente à beira de um ataque de nervos. 
É preciso muita calma, meditação e auto imposição para relaxar e manter um bom ambiente. 
Mas não é fácil, acreditem. 

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Como engordei 18 kg com os corticoides a ajudar!

Desde o fim da adolescência o meu peso estabilizou e pesei sempre a mesma coisa, 55/56 kg, muito bons para o meu 1,69 m.
Sempre tive uma constituição mais atlética, nunca sendo muito magra. Coxa grossa, anca redonda e ombros largos. Mas era magra, sem gordurinhas.
Até que nos primeiros meses de 2014 fiquei gravemente doente. 
Uma infecção respiratória colocou-me no hospital por várias semanas, com febre de 40º, assistência respiratória e um diagnóstico inconclusivo nas primeiras semanas. (Mais tarde falarei da doença)
Com a doença perdi cerca de 4kg e fiquei com uns doentes 52kg.

Descoberta a causa passámos ao tratamento.
Como a infecção era tão grave foi necessário recorrer aos corticoides, em conjunto com os 15 comprimidos que tomei todos os dias, durante quase nove meses.
Foi uma transformação gigante no meu corpo. Tudo começou a funcionar de maneira diferente.

Devido à doença, fazer exercício nos primeiros seis meses de recuperação era proibido, apenas caminhadas muito leves que mal consegui fazer. Assim, foram meses sem actividade de alguma intensidade e apenas a reabilitar um corpo doente.
A cortisona, primordial para o tratamento da infecção, fez o resto.

Passados dois meses de ter alta do hospital já tinha engordado 9kg. 
Tenho de ser sincera, neste ponto, depois de tudo o que tinha enfrentado, o aumento de peso era a minha última preocupação. Claro que não queria engordar sem limite, mas sabia que precisava de restabelecer um imensa quantidade de factores para depois me preocupara com isso. E foi o que fiz.
Durante meses referi-me a mim como Madame Bolacha, devido à cara redonda. Diverti-me a brincar com a minha avó a competir com o número de comprimidos que ambas tomávamos ( a minha avó é doente cardíaca e toma imensos). Concluindo, levei numa boa, a maioria dos dias.

Em Janeiro de 2015, cheguei a pesar 70,6 kg. Custou, não vou mentir. 
Durante esses longos meses o meu corpo mudou, como já referi, e aqui ficam alguns exemplos do que a medicação, especialmente o corticoide fez:

- Aumento do peso. Como já referido aumentei o peso, não simplesmente à toma do corticoide mas também ao repouso. Nádia versão bonequinho da Michelin. 

 - Retenção de líquidos. Se já é algo que sofro normalmente, durante o tratamento foi terrível.  Literalmente tinha uma imagem inchada, cara, ombros, barriga e pernas. 

- Ciclo menstrual alterado. Neste período a toma da pílula foi posta de parte e o ciclo ficou completamente louco. 

-  Inchaço na parte traseira do pescoço. Uma pequena corcunda se formou, mais uma vez retenção de gordura. Ficou lindo. E o pior é que ainda não saiu toda. 

- Sensibilidade ao sol. Não deixei de ir à praia, apenas ia na versão perua. Kaftan, chapéu de abas longas, mega óculos de sol. Tinha desculpa.

- Dores de cabeça. Longas, tensas e horríveis. 

A tudo isso somamos as análises semanais para controlar os níveis de coisas que nem sabia que tinha dentro de mim. Tempos divertidos estes.

Mas passaram. E hoje essa é a mensagem, tudo passa. Sim há doenças que nos derrotam, mas também há o olhar com positivismo e esperança.
Falei aqui apenas dos aspectos mais estéticos, não quero falar dos mais delicados, apenas por preservação.

Dos 18 kg ganhos, doze já foram. Os seis que faltam ganharam amor ao meu corpo e estão chatos para ser despejados. Combinando com a minha falta de motivação e preguiça, temos um caso de amor. 
Ando a ganhar coragem para me livrar deles. 


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Jejum de compras - 2º e 3º Semanas

Já em plena quarta semana de jejum, vou fazer uma retrospecção das ultimas duas semanas. 
Acabando o bichinho dos saldos, que nesta fase já não me interessavam, não houve grandes tentações. 
Comecei a apagar os e-mails sem mesmo os ler, logo as promoções não são mais um problema.

Principais dificuldades

- Pesquisas
Tendo um blogue onde apresento muitos produtos, tenho de fazer pesquisas e estas pesquisas são as mais tentadoras. É lógico que não compro tudo o que mostro, mas há sempre uma peça ou outra que nos faz ponderar. 
Num destes dias andava eu pelo site da asos e dei de caras com dois sapatos que já estavam no radar há algum tempo e que se encontram com promoções muito boas. 


Os primeiros, já a pensar na nova temporada, e com um nome maravilhoso, as Lisbon ballet flats da asos, estão agora a apenas €15,49. 
Os segundos, ainda a pensar nesta estação mais fria, com o detalhe do pompom, apenas €16,90.

São dos sapatos rasos, que ando realmente a precisar comprar, e a preços muito tentadores.
Agora é esperar que no fim de Março ainda encontre, pelo menos, os primeiros. 

Tirando esta questão não houve mais tentações. Acho que entrei mesmo no clima de não compras e até estou a gostar desta nova fase. 

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Um mundo diferente

Quando sais da tua bolha, quando te propões a ver o mundo algo dentro de ti muda.
Nas viagens que já fiz já vi imensa coisa diferente que me fez mudar a minha forma de ver as coisas. Por isso é que viajar é tão importante.

Uma das mais marcantes viagens que fiz foi a Angola. Era um sonho antigo, muito desejado que mudou completamente a minha forma de encarar o mundo. 
Nós, europeus, temos um conceito de pobreza muito distante do que é a pobreza real, a pobreza que te subnutre o corpo e te colhe a alma. 
Em Angola vi mundos muito diferentes. Vi a pobreza mais extrema que já presenciei e a riqueza mais luxuosa que vivi. 

Nunca mais me esquecerei do momento que sai de um restaurante, depois de uma refeição repleta de marisco e regada de bom vinho, e vi um pequeno menino, não mais de três anos e a pedir para limpar os sapatos de um dos membros do nosso grupo. Sujo, roto, mas a sorrir.
Foi um momento tão chocante, tão revelador, tão transformador. 
Percebi a olhar para aquela criança que a forma como valorizava algumas coisas era apenas ignorante, percebi a olhar para aquela criança que o mundo onde vivo é não é o mundo que sonhei viver. E sobretudo, percebi a olhar para aquela criança que se não agirmos nada vai mudar, nunca. 

Foto tirada em Angola em Fevereiro de 2013. 

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Alargar horizontes.

Na altura que descobri que tinha POC, podem ler aqui, e a depressão veio para se juntar à festa comecei a ler livros mais "leves". 
Sempre gostei de literatura desde muito nova, sempre li os clássicos e sempre gostei de leituras "difíceis". Gostava de profundidade, boas histórias e posso dizer que por vezes fui um pouco snob com o que lia. 

Nunca li Danielle Steel, Nora Roberts ou Paulo Coelho. 
Para dizer a verdade continuo por não ler estes autores, mas há uma imensidade de obras que se não ficasse doente nunca ia conhecer. 
Ora, ultrapassado este meu preconceito, posso dizer que de há quatro anos para cá leio tudo o que me apetece. Li até livros do género Harlequin. 
E posso dizer claramente que isto foi o melhor que me aconteceu.

Descobri uma imensidão de obras e autores que me fizeram muito feliz.
Livros muito mais leves, que não nos provocam uma profunda introspecção, mas que no geral nos passam mensagens muito bonitas e mesmo importantes.
Histórias de amor, amizade e coragem. Histórias de vida. 
Histórias divertidas e que nos oferecem gargalhadas. Histórias de monstros, vilões e anjos.

Li de tudo e hoje sou muito mais completa. 

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Jejum de compras - 1º semana

A primeira semana já foi. E levei na desportiva na maioria do tempo. Não ouve grandes conversas mentais para me convencer a não comprar. Apenas um ou outro pensamento consumista, mas também foram apenas sete dias.

Principais dificuldades

- Lojas à porta de casa cheias de saldos. 
Isto é um problema, cada vez que saiu de casa vejo montas com letreiros enormes a anunciar saldos de 70% em lojas que sei que há coisas lindas à espera de serem trazidas para casa. A verdade é que normalmente não ligo muito, mas já se sabe que o proibido tem uma força mental enorme. 

- E-mails com promoções.
Eu tenho um e-mail próprio para receber newsletters e promoções. Claro que podia deixar de o ver por uns tempos e não ter nenhum tipo de tentação, mas por outro lado, sou incapaz de ver a caixa de entrada do e-mail a crescer e não a limpar. Assim torna-se difícil não ponderar sequer algumas promoções. É como já referi, não me sinto tão tentada quando não estou proibida.
Sempre soube que me dava muito melhor com a liberdade. 

Esta semana mostrou-me uma coisa, além de não comprar tudo o que me aparece à frente, tenho uma tendência a achar promoções fantásticas e aproveitar e isso custa dinheiro, mesmo se estivermos a poupar. 
Tenho uma sensação que estes dois meses vão-me ensinar mais do que estou à espera. 


terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Desodorizantes Anne Möller - Os desodorizantes que salvaram as minhas axilas!

Desde o Verão que sentia um desconforto nas axilas e não sabia explicar o porquê. 
Não mudei a minha rotina de higiene nem nunca tive alergias nem irritações a água do mar e piscina.
Sempre usei desodorizantes de supermercado, da marca Dove ou narta, os meus favoritos, e realmente nunca tive problemas nesta zona.
Mas efetivamente algo se passava. Sentia uma ardência, nada muito incomodo mas persistente. 
Na pele também não tinha nada aparente por isso numa conversa com uma enfermeira amiga, ela aconselhou-me a mudar de desodorizante, para um mais sensível e sem álcool. 
Há vários produtos no mercado e numa passagem pela Perfumes e Companhia, vi estes desodorizantes em promoção e decidi experimentar.

Primeiro comprei o rosa, que é para pele sensível e adorei! Tem a sensação de toque seco o que adoro e um levíssimo aroma a talco. É um produto espesso que deixa uma espécie de capa na axila e que a protege das agressões.
A única coisa que desgosto é que esta mesma película imaginaria sente-se a sair quando tomamos banho. 
Mas é um produto mesmo muito bom, que eliminou totalmente a minha irritação.

Numa outra visita, desta vez virtual, compre na Primor a versão azul, a versão normal. Ainda não usei, mas posso desde já dizer que detesto o cheiro que tem. Detesto.
Uma informação boa é que na Primor os desodorizantes são manifestamente mais baratos, assim pela metade.

Há por aí mais alguma dica de um desodorizante ótimo?

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

O poder da ganga!

Jeans, ganga, denim, não interessa a designação, o que interessa é que no século XIX começou a revolução que mudou para sempre a nossa forma de vestir.
Sempre gostei de usar ganga. Calças são a minha perdição e no Verão, adoro de paixão vestidos de ganga.
São peças polivalentes, que nos permitem uma série de conjuntos adequados a vários estilos e ocasiões.

Propus-me a compor alguns looks que com apenas uma peça. Escolhi quatro peças de roupa de ganga, calças, saia, camisa e casaco. Tudo para comprovar a polivalência destas peças.



Calças de ganga. Se há peças de roupa que aparece em quase todos os armários são os jeans. Polivalentes, são peças chaves em vários estilos. Há pessoas que fazem deles os melhores amigos e os usam quase todos os dias. Há quem os use raramente, mas acredito que muito pouca gente nunca os tenha usado.
Como podem ver na imagem, é uma peça que pode ser usada em vários ambientes e estilos.  


Tenho um blusão de ganga há uns bons dez anos. Está surrado e usado mas adoro-o de paixão. Não o uso tanta no Inverno, mas gosto muito de ver conjugado com camisola de malha fofa. Agora no Verão, esteja em alta ou baixa, é o meu casaco. Acho que se adequa a vários estilos e é uma peça que dá uma rebeldia ao look. 


Esta peça sempre esteve presente na minha vida por influência do meu pai. Lembro-me, pequenina, ir com ele à Levis comprar as suas camisas e achar que todos os homens deviam ter uma porque ficavam muito bonitos. E como nunca achei que havia diferenças nem nas oportunidades nem nas escolhas, também sempre exigi ter uma.  
Havia dias, pirosissíma, que pedia para mãe, pai e eu, andarmos todos de camisa de ganga igual. Ainda hoje me sinto agradecida porque os meus pais nunca aderiram aos meus loucos desejos. Mas andava muitas vezes eu e o meu pai, com as nossas camisas semelhantes e assim torna-se uma peça sentimental para mim.
Ainda hoje, ambos, as temos no armários, novas claro, e adoro conjuga-las com peças mais escuras ou vestidos no Verão.



De todas as peças apresentadas é a que menos gosto. Acho que actualmente tenho uma saia de ganga, que comprei nos saldos do Verão passado e usei apenas uma vez. Tirando isso, há muitos anos que não usava. Mas gosto de ver, acho muito girly, estilo que não condiz comigo. Mas vai estar em alta este ano e é sempre uma peça polivalente. 


E vocês, são como eu, apaixonadas por ganga ou não acham muita piada?


quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

A Perturbação Obsessiva - Compulsiva.

Eu tenho POC. Ou TOC. O que interessa é que sofro de uma patologia obsessiva - compulsiva.

Pausa para respirar fundo. (Cada vez que o digo, falha a respiração.) 

Antes de mais quero esclarecer o que é a POC. 


Obsessões são ideias, pensamentos, impulsos que a pessoa não quer ter, mas não controla e causam ansiedade significativa. Por exemplo, a ideia de ficar contaminado por tocar num objecto ou superfície, a dúvida persistente se fechou ou não uma porta, se a roupa está bem lavada, se as mãos estão limpas após as ter lavado, a necessidade de contar objectos ou realizar tarefas segundo uma determinada ordem ou impulsos, como por exemplo, magoar, ferir alguém, de utilizar facas ou outros objectos perigosos com pessoas próximas, entre muitos outros exemplos.

As compulsões são comportamentos, acções, pensamentos, em resposta ao mal-estar causado pelas obsessões. Por exemplo, o pensamento obsessivo repetido de que as mãos estão sujas, surge a compulsão de lavar as mãos até aliviar o mal-estar. Isso pode acontecer várias dezenas de vezes por dia

Sempre tive manias. Sempre sofri de ansiedade. Sempre soube que algo não estava bem. 
Apenas aos vinte e três anos é que descobri.

Lembro-me perfeitamente do meu primeiro ataque de pânico. Tinha seis anos. 
Pensei que ia morrer naquele dia.
A origem? Estava convencida que era adoptada. Não queria perguntar a ninguém pois tinha a certeza que iriam confirmar a minha história.
Não conseguia pensar em mais nada, e vinte anos depois consigo ainda sentir aquela angustia. 
Tudo culminou num tremendo ataque de pânico e na minha primeira visita ao psicólogo. 
Claro que a minha história não passava de criação de minha cabeça e infelizmente o psicólogo disse que era criatividade. Foi há vinte anos.

Durante toda a minha vida tive estes momentos. Que aprendi a manter para mim. Nem sempre acontecia, mas quando acontecia tentava ao máximo esconder. Não sabia bem explicar e achava que ninguém iria perceber. E tentava camufla-los na minha mente com as compulsões.

Não tenho muitas compulsões, felizmente. Mas as que tenho levo ao extremo.

É exaustivo. É horrível. É a minha doença. 

Pouco tempo depois de fazer vinte e três anos, a minha vida corria perfeitamente e começaram as obsessões de forma intensa. 
Dia após dia pioravam e eu fui enlouquecendo. 
Chorei desde acordar até dormir, estava assustada. E tomei a melhor decisão da minha vida. Ao terceiro dia, decidi procurar ajuda e não lutar sozinha. 
Finalmente descobri o que tinha. 
Por fim tinha um nome para a minha angústia. 

Os dias em que me sinto exausta apenas de pensar; os dias em que me detesto porque não entendo de onde vem tudo aquilo; as incontáveis e massacrantes lavagens as mãos e braços; as verificações das portas; os dias que não são dias. Tudo teria um nome a partir daquele momento. 

É uma luta diária. Creio que será uma das grandes lutas da minha vida. Mas como em tudo, eu nasci para vencer.



quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

O dia que saí de casa.

Foi em 2009. No meu mês favorito, Setembro.
Entrei na faculdade e inevitavelmente tinha de abandonar a casa que foi o meu ninho pelos últimos 20 anos.
Escolher Lisboa para fazer faculdade foi propositado. Sempre fui uma pessoa livre e independente e depois de um gap year, onde fiz muita coisa, sentia-me mais que preparada para enfrentar o mundo sozinha e já conhecia a cidade razoavelmente. 
Verdade seja dita que o meu namorado já cá estudava, mas viver com ele nesta fase era impensável, eu queria mesmo viver sozinha.
Verdade também que muitas dessas noites passei com ele, outras tantas com amigos e maioria a festejar por esta bela cidade. Afinal estava na faculdade.
Na primeira fase dividi casa com uma colega de faculdade, que além de gostar imenso, não éramos propriamente amigas. 
Assim podem ver que me atirei aos lobos. E venci.
Tudo correu bem porque fui sem medo, porque mesmo que em alguma altura fizesse asneiras não iria ser o fim do mundo. 
Mas muitas coisas custaram, imenso.

Cozinhar. Hoje adoro cozinhar mas naquela altura não era a minha atividade favorita. Claro que em casa, vulgo casa dos meus pais que será sempre a minha casa, cozinhava algumas refeições e divertia-me. Agora cozinhar todos os dias é outra conversa. Nunca percebi muito bem o drama da minha mãe quando reclamava que tinha de pensar muito o que iria cozinhar em cada dia e finalmente percebi. Ou tens imaginação ou acabas a comer o mesmo de dois em dois dias. 
E cozinhar peixe. Eu adoro comer peixe, mas cozinha-lo e arranja-lo. Aí. Foram momentos de drama, muito drama.

Passar a ferro. Sabes quando te levantas e pensas numa determinada roupa e ela magicamente está passada no armário? Pois é, não estava. Tive de aprender a estender roupa e passa-la imediatamente para não acumular montes enormes. Eu sempre tratei muito bem da minha roupa e sempre lavei à mão algumas peças mais delicadas sem esforço, mas passar a ferro não era minha tarefa e até conseguir um plano que resultasse, foram muitos dias a chegar atrasada ás aulas porque tive de passar determinada roupa antes de sair.

Controlar o dinheiro. Eu saí de casa e os meus pais continuaram a financiar-me. Antes de partir de vez, acordamos uma mesada, fora as despesas fixas, com a qual tinha de me sustentar, basicamente para comer e atividades lúdicas. Eu tinha uma boa mesada e tinha também uma pequena poupança, mas controlar os gastos nos primeiros meses foi complicado. 
Não tinha a mínima noção o que custava abastecer a casa com comida e custa. Não tinha noção que ir tantas vezes almoçar/jantar fora fosse um encargo tão significativo no orçamento e é. E não sabia que gastava tanto na noite e gastava (hoje em dia nem tanto). 
Foi todo um processo de aprendizagem, muitos momentos de economia para não ligar a pedir mais dinheiro e muitos momentos de planejamento. Aprendi a aproveitar promoções, a comprar o que é preciso e não comprar porque sim. Basicamente, aprendi a dar valor ao dinheiro.

Acordar a horas. Desde que entrei na escola quem me acordava todos os dias era o meu pai, com um doce "filhota acorda, vamos carochinha está na hora" acompanhado por um beijinho. Ora, sozinha e apenas a depender de um telemóvel para acordar, não deu certo. Foram muitas manhãs a passarem à frente, muitas manhãs a 200 km para não chegar tarde. Foi provavelmente o que mais me custou de tudo. E a única coisa com que ainda luto.
Ainda hoje, passados 6 anos, não tenho maturidade para acordar cedo, mas tento. 

Mimo. Eu tive uma infância/adolescência/inicio de idade adulta muito fácil. Tenho os melhores pais do mundo, não por tudo o que me deram materialmente, mas por tudo o que me deram emocionalmente. Ficar longe custou. Não sou uma pessoa cola, não sou extremamente carinhosa, mas o beijinho antes de dormir, as gargalhas à refeição, até mesmo as implicâncias fizeram muita falta. 
A minha mãe a ralhar para sair da banheira e o meu pai ao mesmo tempo a perguntar se estou a aprender a nadar; as danças sincronizadas ao longo do corredor onde cada um tem o seu papel; as tardes ao sol no terraço com a Shiva a roubar-nos comida; as conversas com a minha avó; as noites de cinema caseiro; as panquecas às duas da manhã. 
Todas estas pequenas tradições, que ainda hoje sinto muita falta, custaram horrores. Mas sempre pensei que não podemos ter tudo na vida e temos de andar para a frente.
É bom salientar que todas estas coisas ainda acontecem quando estou em casa. Quando há amor nada muda =)


Posto isto só tenho um conselho para quem saiu de casa à pouco tempo ou quem o vai fazer, cresçam sem medo.
Lembrem-se que os vossos pais estão com tanto ou mais medo que vocês nesta fase por isso parem de choraminguices. Sejam a parte adulta nesta fase e mostrem que está tudo bem. Vai custar sempre, em qualquer altura em qualquer idade, mas isto é viver.
Encarem os problemas de frente, peçam ajuda se precisarem, mas não hesitem. 
Crescer é isto mesmo, voar finalmente sozinhos. (Mesmo que amanha tenhamos que voltar ao ninho para um pouquinho de aconchego)

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

E vamos começar!

Hoje começa oficialmente o ano!  Porque nos três dias que passaram não fiz nada!
Dia um foi dia de recuperação! Dormi até me fartar! Dia dois ainda me arrisquei a ir almoçar fora mas rapidamente decidi que ainda precisava de descanso. Ontem foi dia de estar enroscada no E a ler.
Maravilha.
Mas como o mundo não pode ser só preguiça hoje volto cheia de força!
E vai ser dia de quê? Arrumações! Bah

É por aí, muita força para encarar o novo ano?

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

O mundo e um telemóvel. (Semana de Natal)


Árvore de Natal completa de presentes. Lanche gordinho.
Ugly Sweater. Passeio para ver as luzes de Natal.
Coração de Brigadeiro. Sapatinhos para bater perna à procura dos últimos presentes de Natal. Preparação da mesa para a Ceia. 

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

As boas surpresas do Natal.

É verdade que ele já passou mas ainda se faz sentir não só o clima, como toda a gratidão. 
Se é verdade que o que realmente interessa são todos os momentos em família, todo o amor desta quadra, também é verdade que os presentes ajudam a animar ainda mais. 

Dentro dos presentes que recebi, muito bons e úteis por sinal, vou destacar dois.

O primeiro é referente à troca de presentes que a Simple Girl do blog Um Refúgio para a Vida organizou, que podem saber mais aqui.   
Eram doze bloggers a trocarem presentes entre si. 
Posso dizer que a escolha para a blogger que me saiu no sorteio foi feita com muito carinho e acho que ela gostou. Foi a própria Simple Girl que presenteei e podem ver a sua reação aqui

A minha prendinha chegou no dia 23 de Dezembro à casa dos meus pais, onde passei o Natal. 
Sou sincera, a vontade foi abrir e ver tudo, mas controlei-me e coloquei em baixo da árvore com os restantes presentes. 
Quando a meia-noite surgiu, já depois de uma Ceia maravilhosa, fui abrir os meus presentes e lá estava à minha espera o presentinho que a Rafaela do The eyes of a Mermaid me enviou. 

Só posso dizer que a achei tão fofa e cuidadosa <3
Enviou-me várias coisinhas, onde se nota a preocupação que teve a ler o meu blogue para me conhecer um pouquinho mais. 
Adorei que me tenha enviado umas saquetas de infusões para ajudar no meu vício =)
Os vernizes são de cores que gosto muito e a máscara branqueadora da marca andreia era algo que já queria experimentar à algum tempo. 
A caneta em forma de rebuçado é amoroso e o gloss bem brilhante.
A cartinha é a coisa mais doce =)
Quero agradecer à Rafaela por todo o cuidado. Gostei muito! 


Outro dos presentes que tenho de destacar é algo que já tenho, mas estando muito velhinho, pedi a nova versão ao E, entre a lista que faço todos os anos dos presentes que realmente quero e preciso.

Ele no entanto já tinha os seus próprios planos e quando uma prima lhe perguntou o que me podia oferecer ele indicou-lhe isto e eu não podia estar mais feliz.

Já falei imensas vezes da paixão que tenho pela leitura e além de usar o meu Kobo há alguns anos, existem livros que tenho necessidade de ter fisicamente. Este é um deles. 
Tenho um exemplar com muitos anos, que pertencia ao meu pai e que me apoderei. Está velhinho e amarelado mas guardo-o com todo o carinho, mas precisava de uma versão para chamar de minha e quem sabe passa-la a alguém um dia. 
Este livro é uma edição especial, fiel à obra original, com um prefácio maravilhoso de Valter Hugo Mãe. 
Posso dizer que já reli a história de O Principezinho neste novo livro e toda a emoção voltou. É realmente uma obra única. Amei.

E por aí, como foram os presentes?


sábado, 26 de dezembro de 2015

O tempo passa tão rápido...

Dias e dias de preparação e depois passa tudo tão rápido. O Natal já se foi. 
Foram muitas gargalhadas, muita comida, alguns presentes e muito amor. Foram dias em família, rodeada pelas minhas pessoas, o que me deixa de coração cheio. 

Mas acho sempre que passa tudo muito rápido. Além de andar em clima natalício à mais de um mês, queria mais. Acho realmente que tenho um vicio com o Natal.

Agora é começar a fazer as malas porque amanhã já regresso a casa. 
Passa rápido mas é maravilhoso.
Bom fim-de-semana a todos.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

A hipocrisia do mundo #4

Em conversa com umas amigas veio à tona a carta de condução. No meu grupo de amigas, somos apenas duas que não a têm, todas as restante já tem carta há vários anos.
Ora no meio da conversa uma delas diz-me esta bela frase:
- Como é possível ainda não teres carta? É uma necessidade básica. Nem pareces uma mulher moderna. 

Ora bem meus amigos, não vou reproduzir a minha resposta mas posso afirmar que ela desejou estar calada. Tudo por três questões básicas.

- Essa minha amiga não sabe nem um ovo cozinhar e comer, para mim, é uma necessidade básica. Na minha opinião, não precisamos todos de ser maravilhosos chefes de cozinha, mas acho essencial que possamos, pelo menos, fazer o mínimo para nos alimentarmos saudavelmente. 
Não creio que tenha as prioridades trocadas, mas ninguém morre por não ter carta, mas morremos se não comermos, por exemplo.
E o argumento que podemos pagar para comer não vale. Eu também posso pagar para ir a qualquer lado, a qualquer hora.

- Por sorte, não foi por falta de possibilidades que nunca tirei carta, foi escolha. Mas podia ter sido. Eu podia nunca te tido posses que me permitissem pagar algo como a carta de condução. 
Alguém assumir que temos de ter a carta, no matter what, e aqui a minha amiga é um elemento meramente ilustrativo, é além de desinformado, muito alheio da realidade. Acho extremamente rude que assumamos as opções da vida das outras pessoas levianamente. 
E é bom salientar, nunca conhecemos ninguém completamente, nem aquilo que o move. 

- Ser uma mulher moderna. Aqui sim fez-me rir. 
Mas que raio é isso de ser uma mulher moderna? É simplesmente fazer aquilo que os homens anteriormente faziam e está bom? 
A carta de condução, beber cerveja e fumar, jamais vão fazer de alguém moderno, seja homem ou mulher.
Para mim ser uma mulher moderna é assumir aquilo que sou sem nenhuma relutância ou vergonha. É encarar o futuro, seja de carro ou a pé, consciente que sou capaz de tudo a que me propuser, dignificando sempre a minha condição de mulher. Isso é modernidade. 

Desabafei!

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

50 factos sobre mim - Parte 1

Acho que esta é uma das TAG mais interessantes de responder, uma vez que dá para conhecermos um pouco melhor a pessoa do lado de lá. 
Assim, decidi reunir alguns factos e dar-me a conhecer.

Para não ficar muito longo vou dividir a TAG em três partes. Aqui fica a primeira.

1 - Sou viciada em chá. Completa e irremediavelmente. Bebo cerca de 5/6 por dia, sendo que o preto é o meu favorito, no entanto, tendo bebe-lo apenas na parte da manhã. 

2 - Sou uma papa livros. Como atualmente não tenho uma atividade fixa, leio uma média de três a quatro livros por semana. Este gosto acompanha-me desde sempre. Em pequena os meus pais liam-me muito e comecei a adorar os sentimentos que os livros me traziam.

3 - Sou licenciada em Sociologia. Nunca foi a minha área de sonho em criança mas posso afirmar que foi a melhor licenciatura que podia tirar naquela altura da minha vida. Tenho planos de tirar outra licenciatura brevemente. 

4 - Tenho uma relação forte e maravilhosa há mais de sete anos. Sempre fui muito independente e ter um relacionamento não era uma prioridade mas foi um amor arrebatador. E ainda é =)

5 - Sou alérgica a beterraba. Antes de saber comia beterraba e ficava com vermelhão no pescoço e uma coceira na garganta horrível. 

6 - Detesto acordar cedo. A manhã devia ser irradiada. Podíamos começar a trabalhar à tarde e noite fora e dormir de manhã. Acordo sempre em estado zombie e apenas consigo emitir grunhidos. 
É uma caso tão forte que durante um semestre na faculdade tive um professor a perguntar-me todas as aulas se podia fazer perguntas ou ainda vinha a dormir ahahah.

7 - Sempre gostei de moda mas sempre detestei desfiles. Adoro ver editoriais, catálogos, agora estar sentada a ver pessoas desfilarem com as roupas não é para mim.

8 - Sou viciada em documentários. Gosto muito do conceito filme com muita informação. Os meus temas favoritos são a Segunda Guerra Mundial, Comportamento humano e felinos. 

9 - O meu ponto fraco é cheiro a suor. Claro que é algo que ninguém gosta mas eu fico doente. Fico tonta, com náuseas e vómitos, é terrível. 

10 - Não tenho carta de condução. Nunca tive uma grande vontade de tirar e ainda não precisei dela. Qualquer dia, qualquer dia.

11 - Tenho dislexia. É um problema presente na minha família materna e uma das razões que gosto tanto de ler. Tive muito treino. Hoje consigo contornar a situação, no entanto posso dizer que é bastante engraçado ouvir-me a ler em voz alta em algumas situações. 

12 - Adoro brilho. Não sou nenhuma árvore de Natal mas adoro roupa e sapatos com brilho, glitter e lantejoulas. 

13 - Adorava Barbies. Podem dizer o que quiserem da representação ideológica da Barbie, mas eu adorava e adoro. Tinha uma coleção de mais de 70 bonecas, que viviam em poligamia, uma vez que só tinha uns 4 Ken's. Transformava o meu quarto numa enorme cidade e brincava por horas.

14 - Adoro cozinhar. Antes de viver sozinha não sabia fazer nada, mas desde que tenho de me alimentar, os meus conhecimentos têm vindo a crescer. Adoro inventar novas receitas e é algo que me relaxa imenso.

15 - Uma das coisas que me irritar no mundo é a hipocrisia. Gosto de pessoas que não estão com mimimi e que dizem o que pensam e acreditam, com filtros, mas mesmo assim, a verdade. Prefiro conviver com uma pessoa que esteja longe dos meus ideais do que com uma pessoa a fingir. 

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Diário de uma perseguição #3

Depois de vários meses sem falar nela. o diário da minha perseguição à depressão voltou. Como podem ler aqui e aqui, já falei quais foram os sintomas físicos que tive. Hoje foi falar de um sintoma não físico. A fobia social.

Já referi que a depressão, no meu caso não veio por si só, foi resultado de uma outra doença que falarei noutro dia. No entanto, a depressão veio com toda a força.

Eu sempre fui uma pessoa muito expressiva. Nunca tive qualquer temor de falar em público, sendo uma das coisas que até gostava de fazer. Sempre expressei as minhas opiniões sem receio ou dúvidas. 
No entanto tudo isto mudou. 

Quando a minha vida foi assaltada por todos estes tumultos deixei de sair, estar com pessoas, falar. 
Durante mais de um mês não saí de casa. Tive de ir para a casa dos meus país, uma vez que o meu namorado não podia estar comigo o dia todo pois trabalhava e na casa dos meus pais havia sempre alguém para me acompanhar. 
Assim, as únicas pessoas que vi durante este mês foram os meus pais, os meus avós, o meu namorado, que todos os fins - de - semana rumava a Aveiro e duas amigas. Mais ninguém.
Mas um mês em casa, além de ser minha opção, deixou-me ainda mais fragilizada.
Um dia decidi sair de casa para ir comprar pão. A padaria fica a cerca de 2 minutos da minha casa. Da varanda podemos ver todo o percurso, e foi o que a minha mãe fez. Ficou a ver-me a ir e vencer os meus medos. Mas nesse dia não venci nada.
Nunca me vou esquecer da tristeza na cara da minha mãe quando me viu correr em lágrimas para casa. Chorei durante horas nesse dia. Acreditava mesmo que a minha vida ia ser aquilo para sempre.

A partir deste dia, como não podia estar sempre trancada em casa, o meu pai começou a levar-me a passear de carro. Andamos horas. Em silêncio. Mas estas viagens traziam-me calma. Eu via a vida a acontecer, além de não estar a participar nela. 
Passei algumas semanas assim, até que, consegui regressar à psicóloga. Durante todo este período afastei-me das consultas. Não consegui falar nem com a psicóloga e eram ou os meus pais ou o meu namorado que se comunicavam com ela. Ela deu-me o meu tempo. E eu finalmente consegui voltar à vida.

Primeiramente com pequenos passos, como ir passear à praia, sendo inverno estava praticamente vazia, passear no campo, passear na rua em horários não tão movimentados.
Sempre acompanhada e com algumas recaídas, mas consegui.

Desde esta altura já viajei centenas de vezes sozinhas, até internacionalmente. Todos os dias saiu à rua sem medos. Foram meses muito complicados, muitas situações que moldaram a minha personalidade, no entanto hoje olho-as com um sentimento de vitória.

Não vou mentir que há dias onde o medo volta. Onde multidões me fazem tremer. Mas vou e vou com tudo. Esta depressão vai aprender o que é ter força.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

A maldição de uma geração.

Cada geração tem as suas maldições. Para quem nasceu na década de 80, início de 90, a maldição é o segundo nome
Enquanto andava na escola vi de tudo. Soraia Cristina, Rute Micaela, Sara Gabriela, Raquel Patrícia, Cristiana Paula. Havia depois claro um leque enorme de Anas. Catarina, Luísa, Beatriz. 

Além de saber que não sou a única, sou traumatizada. Ora, o meu pai era um fã convicto de ginastica, logo ginástica + anos 80, deram em Nádia. Como a Comãneci.
Eu adoro o nome Nádia. Acho forte, não tão comum e gosto mesmo de ter saído da melhor ginasta de todos os tempos, na minha opinião. 
Se acabasse aqui, tudo era perfeito. Mas não. Os meus pais decidiram acabar comigo e colocaram um Sofia logo a seguir. Sério? Nádia Sofia? 
Digam que isto não é mais do que suficiente para destruir o futuro de uma criança? 

Toda a gente está estritamente proibida de utilizar o meu segundo nome, não que não goste de Sofia, mas quem me chamar Nádia Sofia entra diretamente para o meu death note. 
Eu desgosto tanto que até o uso para me auto punir. Ainda ontem, ao guardar o rímel, sujei um pouco a embalagem e o que saiu logo? "Sério Nádia Sofia? E atenção, não?"

Detesto. Ponto. 
E querem saber mais, os meus dois sobrenomes rimam. Sou uma sortuda!

E por aí, muito mau?

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

O casaco vermelho.

Uma das minhas fotografias mais giras de infância, sou eu vestida com um bonito casaco vermelho. Estou num parque, era Inverno, e a condizer tinha uma boina no mesmo tom. Mas o casaco faz as delicias. É um casaco pesado, sério, mas que no meu pequenino corpo fica ternurento. 
Ainda está lá por casa. O casco e a fotografia.
Ao longo da minha vida, sempre tive um casaco vermelho. Mesmo nos anos de adolescente, onde optei por estilos muito distintos do que sou hoje, no meu guarda - roupa sempre esteve um casaco vermelho. O meu Inverno não é Inverno se não o tiver.
Acho que me dá força naqueles dias cinzentos e frios, a cor dá-me uma aura de guerreira. E não tem nada a ver com clubites, que o meu coração é bem azul. 
Nos armários eles perfilam-se. Gastos, velhos mas vibrantes. Fazem parte da minha vida e das minhas memórias. 
Acho que apenas gosto de enfrentar o frio e o cinzento com o meu casaco vermelho.


Sou a única com uma ligação quase mística a uma peça de roupa?

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

É triste mas é verdade!

Na sexta - feira quando regressava a Lisboa de uma semana por Aveiro, aconteceu uma situação tão incomoda como triste.
Eu viajo sempre de comboio. Já percorri quilómetros e quilómetros e já vi muita coisa acontecer dentro de cada carruagem.
Como quem viaja regularmente sabe, viajar com bagagem maior pode ser um problema. Há apenas os compartimentos perto das portas para albergar essas malas e se todos os passageiros viajassem com bagagens enormes era impossível. Por esta razão há que ter bom senso. Se tenho uma mala pequena, coloco na divisória em cima do meu lugar (onde prefiro 1000 vezes, gosto das minhas coisas perto de mim) e o assunto fica resolvido.
Ora na sexta - feira, um senhor colocou duas malas diminutas num desses compartimentos. Uma rapariga que viajava com uma mala realmente grande, cuidadosamente retirou as malas do senhor para outro compartimento, onde estava uma mala mais pequena que a dela e dava perfeitamente para colocar as malas do senhor em plena segurança.
É bom realçar desde já que este senhor é uma daquelas pessoas enervantes que não fica quieta um segundo, te encara, passeia pelo corredor, ouve as conversas alheias.
Num desses seus passeios pelo corredor deslocou-se à sua mala e o dialogo que se seguiu foi surreal.
- Quem mexeu na minha mala? (Dito num volume bastante alto e com um sotaque alemão carregado)
- Fui eu, a sua mala estava a ocupar o lugar todo e eu coloquei no debaixo para puder colocar a minha mala que é muito grande. (Disse a rapariga claramente alarmada pelo tom de voz)
- Acha que tem o direito de por as mãos nas minhas coisas? Mal educada! E se tivesse uma obra de arte dentro da mala? Tinha estragado tudo! Vocês portugueses são além de gente de terceiro mundo muito mal educados! Detesto isto tudo.
Neste momento já estava toda a carruagem parada a olhar para ele.
Mas não ficou por aqui.
Voltando a sentar-se, claramente irritado, olhou para a rapariga do outro lado do corredor que ia a ver uma serie sem fones.
Eu também não gosto de quando somos obrigados a ouvir o que os outros querem, mas neste caso aquilo estava realmente baixo, quase imperceptível com o restante barulho da carruagem.
E seguiu-se o seguinte monologo:
- A menina não pode colocar fones. Isso é má educação. Sabe quando um professor está a falar e os alunos falam por cima, é isto que está a acontecer. Estou a usar uma analogia. Sabe o que é uma analogia? Claro que não. Gente muito mal educada.
Nisto uma senhora, claramente farta da má educação do senhor disse-lhe que má educação era encarar as pessoas e andar de um lago para o outro a incomodar toda a gente.
O senhor encarou a senhora com um olhar altivo e disse-lhe:
- Cala-se. O seu deus não a salvará!

E foi isto.
Além de mal educado, preconceituoso e irritante o senhor também é um idiota.
É triste mas é verdade.