Mostrando postagens com marcador Desabafo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Desabafo. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Caça

Atenção. Há imagens que podem impressionar no fundo do post. 

Eu não sou contra a caça. Nunca cacei, jamais o faria, mas venho de uma família onde muita gente caça e entendo o propósito. Vão caçar para comer, mesmo que isso inclua uma vertente mais lúdica (?), mas todos os animais que comemos são mortos e na caça os animais são mortos mais rapidamente, sem o mínimo roçar de tortura que muitas vezes acontece nos matadouros. Não entendo a caça como desporto, nenhum desporto pode ter morte associada, no meu entender. Mas é uma actividade que nós, seres humanos, sempre fizemos e vamos continuar a fazê-lo. Para comer. 
É aqui que se coloca o enfoque. Aceito a caça no intuito de consumir totalmente o que se caça.

Não há animais de primeira e segunda. Todos os animais merecem o mesmo respeito e amor. No entanto, o choque de matarem uma galinha não é o mesmo de matarem um elefante. Simplesmente porque não comemos elefantes. Pelo menos uma grande maioria da humanidade não o faz. 
Por esta questão a caça furtiva me choca tanto. Assim como uma caça de elite, onde pessoas cheias de dinheiro caçam animais selvagens, muitas vezes espécies ameaçadas. 

Matar um leão para quê? Embalsamar para decorar a sala? O que leva um ser humano a matar um animal só por matar?
Visitar jardins zoológicos já é algo que me incomoda um pouco. Percebo o trabalho que muito deles fazem, percebo o encanto que as crianças sentem ao visita-los, mas entristece-me imenso ver os animais presos.
Safaris são apenas ridículos. A necessidade do ser humano se infiltrar no ambiente dos outros é inqualificável. Agora este tipo de actividade deixa-me só envergonhada e desiludida.

É triste. Tão triste.



quinta-feira, 22 de março de 2018

Tirar um tempo

Desapareci. 
Estava a precisar por as coisas no lugar. Estabelecer metas e prioridades e sobretudo respirar. 
Quando a nossa vida muda de uma forma tão imediata mas definitiva muitas vezes não nos apercebemos, até meses mais tarde, que estamos a reter a respiração e a canalizar tudo para o sítio errado.
Eu não me estava a permitir sentir. Não estava a viver realmente.

Então tirei um tempo. 
Chorei muito. Deprimi imenso. Mas também sorri e gargalhei. Recordei coisas boas e talvez tenha começado, finalmente, a fazer o meu luto. 
Sinto-me um pouco mais leve, um pouco mais viva.

E agora estou aqui. De volta. 


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

O feminismo está na moda.

O feminismo está na moda. Hoje, meninas de 14/15 anos afirmam-se como feministas e nada me deixa mais feliz e esperançosa. Mas há sempre o reverso, a verdade escondia.
Na semana passada saíram estudos da Universidade de Coimbra que concluem que a violência no namoro está a aumentar em Portugal.
É verdade que isto acontece porque a legislação mudou à pouco tempo e hoje são contabilizadas queixas que anteriormente não faziam parte da estatística, mas o que é certo é que as mesmas meninas que se afirmam feministas continuam a apanhar, este é o termo, dos namorados homens, que continuam a ser os maiores agressores.
E porque é que isto acontece? Simples, porque continuamos a evoluir como uma sociedade patriarcal, completamente misógina, onde somos ainda o sexo fraco
Não há, nem neste país nem em nenhum que eu conheça, um esforço sério das entidades competentes e com poder fazerem alguma coisa para mudar a realidade.
Porque a violência esta intimamente ligada à subjugação moral das mulheres. Porque esta sociedade à qual nós pertencemos faz-nos acreditar que o nosso papel está há muito moldado e nós, mulheres temos de nos adaptar ao molde qualquer que seja a nossa forma. 
E o mais perigoso de tudo, é que nós, mulheres, somos usadas como agentes de limitação, umas relativamente às outras. 

Não acho de todo que as mulheres são um ser mais especial que o homem. Acho que somos iguais. Com particularidades, mas igualmente necessitados de respeito, amor e compreensão. 
Logo, essa grande treta de ser feminista é inferiorizar homens está, na premissa, errada.
Também não acho que somos todas dádivas da natureza. Há mulheres que são apenas maus seres humanos.
E também não sou daquelas que anda com um cartaz a dizer-se feminista O que eu faço é pô-lo na prática. 
É levantar a minha voz para defender alguma mulher mesmo que não goste dela. É ensinar aos pequenos seres que me rodeiam que meninos e meninas são iguais. É impor-me quando alguém mais reticente aos meus princípios me tenta subjugar. É não chamar cabra e puta a uma mulher só porque sim. É não julgar uma mulher apenas pelo que veste.

E isto é difícil. É difícil porque desde que nasci a sociedade me ensinou o contrário. 

E a sociedade ensinou-me também que, posso não admitir levar uma chapada, mas sair de casa com a uma roupa que o meu marido não gosta é proibido. Ou que impor a minha opinião, contrária à do meu namorado, vai fazer com os demais o diminuam como homem, logo não o posso fazer. 
Portanto, a violência e o feminismo estão ligados. Ligados por laços de agressão e medo, que faz com que nós mulheres, continuemos a não ter força para dizer basta. 

E a solução nem é assim tão difícil. Basta entendermos uma vez por todas que, a partir do momento que dizemos frases como "ela até mereceu" ou "não tenho nada a ver com o assunto", estamos um passo mais próximas de nos tornarmos o inimigo. Aquele que nos cala, bate e assusta. E por vezes não é o homem, somos nós mesmas. 

Sejam feministas, mas sejam-no de verdade. 


(Desabafo depois de escutar na mesma conversa, a mesma pessoa, a auto proclamar-se feminista e na frase a seguir dizer que uma amiga que levou uma tareia do namorado mereceu porque foi vestida à puta (seja lá o que isso for) a uma festa)