Cada vez que ligo os canais de noticias, dos poucos canais que vejo cá em casa, sinto um pequeno tremor.
Más noticias sempre houve e sempre vai haver, mas esta vaga crescente de terror vai-se entranhando e começa a atingir um novo nível de terror. A normalidade.
Ao ver as notícias de ontem sobre as explosões de em Manchester, o terror absoluto de um ataque num recinto repleto de jovens e crianças atinge uma magnitude única. Mas uma pequena voz começa a falar da nossa nova forma de viver, que o terror é normal.
Que vivermos num mundo onde nos arriscamos a sair de casa e ser brutalmente violados da nossa liberdade.
Que vivemos num mundo onde, gradualmente, nos estão a lapidar a vontade de nos movermos livremente.
Que vivemos num mundo onde crianças estão a crescer e a olhar para o terror como um vizinho.
A normalidade dos ataques é o maior dos assombros, o terror em estado puro.
E reagir é fácil, quando os ataques ainda são longe. Mas quando são perto de nós e dos nossos, quando vemos uma noticia e a primeira coisa que fazemos é assegurar-nos que tudo está bem com os nossos, é um novo nível de horror.
Um terror que não quero viver.
Uma normalidade que não acho normal.
Um a nova forma de vida muito triste.