Em conversa com umas amigas veio à tona a carta de condução. No meu grupo de amigas, somos apenas duas que não a têm, todas as restante já tem carta há vários anos.
Ora no meio da conversa uma delas diz-me esta bela frase:
- Como é possível ainda não teres carta? É uma necessidade básica. Nem pareces uma mulher moderna.
Ora bem meus amigos, não vou reproduzir a minha resposta mas posso afirmar que ela desejou estar calada. Tudo por três questões básicas.
- Essa minha amiga não sabe nem um ovo cozinhar e comer, para mim, é uma necessidade básica. Na minha opinião, não precisamos todos de ser maravilhosos chefes de cozinha, mas acho essencial que possamos, pelo menos, fazer o mínimo para nos alimentarmos saudavelmente.
Não creio que tenha as prioridades trocadas, mas ninguém morre por não ter carta, mas morremos se não comermos, por exemplo.
E o argumento que podemos pagar para comer não vale. Eu também posso pagar para ir a qualquer lado, a qualquer hora.
- Por sorte, não foi por falta de possibilidades que nunca tirei carta, foi escolha. Mas podia ter sido. Eu podia nunca te tido posses que me permitissem pagar algo como a carta de condução.
Alguém assumir que temos de ter a carta, no matter what, e aqui a minha amiga é um elemento meramente ilustrativo, é além de desinformado, muito alheio da realidade. Acho extremamente rude que assumamos as opções da vida das outras pessoas levianamente.
E é bom salientar, nunca conhecemos ninguém completamente, nem aquilo que o move.
- Ser uma mulher moderna. Aqui sim fez-me rir.
Mas que raio é isso de ser uma mulher moderna? É simplesmente fazer aquilo que os homens anteriormente faziam e está bom?
A carta de condução, beber cerveja e fumar, jamais vão fazer de alguém moderno, seja homem ou mulher.
Para mim ser uma mulher moderna é assumir aquilo que sou sem nenhuma relutância ou vergonha. É encarar o futuro, seja de carro ou a pé, consciente que sou capaz de tudo a que me propuser, dignificando sempre a minha condição de mulher. Isso é modernidade.
Desabafei!