Não me recordo de mim sem ter "manias". A verdade é que a parte maior do meu sofrimento com este transtorno vem das obsessões, estas sim são capazes de me derrubar. As compulsões são mais uma consequência. Algo que eu tento não fazer, mas que a Poc leva a melhor, quase sempre. A maior de todas é sem dúvida lavar as mãos. Eu sempre fui obcecada por lavar as mãos. Os meus pais contam que por volta dos 4/5 anos, se desaparecia por um segundo estava decerto a lavar as mãos. Deve ser por isso que gosto tanto de sabonetes.
Lavar as mãos acalma-me, relaxa-me, alivia-me. É a primeira coisa que faço quando acordo, quando me deito, quando saiu de casa, quando chego a casa. É por esta necessidade que detesto tocar em pessoas e objectos desconhecidos. Não quero dizer que sou daquelas pessoas que não tocam as outras. Bem, quer dizer isso mesmo. Se não conhecer a pessoa não a vou cumprimentar se puder evitar. Se for com os típicos beijinhos onde mal nos tocamos ainda consigo assentir, agora apertar a mão a alguém é uma batalha mental de proporções épicas. Eu não sei onde a pessoa andou com as mãos. Talvez tenha tossido. Talvez tenha colocado o dedo no nariz. Talvez tenha coçado o ouvido ou colocado o dedo em sítios menos próprios. Ou pior, pode estar suado. Tudo o que consigo imaginar naqueles milésimos de segundos me faz arrepiar e desejar sair a correr para dar uma lavagem de precaução nas minhas preciosas mãos. Mas os meus pais educaram-me bem e as vezes tenho de me sacrificar. Mas mal as mãos se tocam começo a fervilhar de ansiedade. Eu tenho de lavar as mãos. Eu tenho de lavar as mãos. Eu tenho de lavar as mãos. Eu tenho de lavar as mãos. Eu tenho de lavar as mãos. Eu tenho de lavar as mãos. Eu tenho de lavar as mãos. Eu tenho de lavar as mãos. Eu tenho de lavar as mãos. É assim que a minha cabeça começa a funcionar.
É claro que isto já me condicionou em algumas situações, algumas mais graves que outras. Lembro-me de uma vez na faculdade, num exame, onde passados meros 15 minutos depois de começar, ao colocar-me numa posição confortável, toquei em algo colado na borda da mesa. É claro que quando vi que era uma pastilha acho que até perdi o ar. Pedi encarecidamente ao meu professor para me deixar ir lavar as mãos, mas ele apenas olhou para o meu gel desinfectante (BFF ❤) em cima da mesa e deu-me um redondo "Não" como resposta. É assim, eu adoro gel desinfectante, mas não é a mesma coisa. Nada substituí água e sabão. Nada.
Conclusão, entreguei o exame que valia a nota do semestre 15 minutos depois de começar, simplesmente para ir lavar as mãos.
Mas convenhamos, existe alguma coisa melhor que umas mãos lavadinhas e a cheirar a limpo?